Shutdown do governo Trump por impasse sobre financiamento do ICE provoca paralisação parcial e tensão, votação no Congresso deve encerrar o impasse em poucos dias

Governo entra em segundo shutdown em três meses, com impacto limitado e negociações centradas no Departamento de Segurança Interna e no ICE

O governo federal dos Estados Unidos entrou em um novo shutdown do governo Trump, apenas três meses depois do fechamento mais longo da história do país.

Dessa vez, a paralisação é parcial e deve ser curta, com votação programada para segunda-feira, 2 de fevereiro, no Congresso.

O impasse decorre de um confronto entre republicanos e democratas sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna, que financia o ICE, após mortes durante operações federais em Minnesota, conforme informação divulgada pelo g1.

O que está em disputa e como se chegou ao fechamento parcial

O ponto central da disputa é a parte do orçamento que banca o Departamento de Segurança Interna, responsável por agências como o ICE. Democratas pressionaram para bloquear esses recursos depois de protestos e de dois casos recentes em que manifestantes foram mortos a tiros durante operações federais em Minneapolis.

As vítimas citadas no debate público são Alex Pretti e Renee Good, mortes que inflamaram a oposição e motivaram pedidos de mudanças nas práticas das agências federais.

No Senado, um acordo aprovou financiamento para a maior parte das agências até setembro, mas a faixa correspondente ao DHS ficou de fora e virará objeto de novas negociações.

Votação no Senado e números citados

Na sexta-feira, 30 de janeiro, o Senado aprovou um projeto orçamentário com 71 votos a favor e 29 contra, resultado de um acordo entre a presidência republicana e senadores democratas. O texto autoriza o financiamento da maioria das agências federais, mas a parcela do DHS seguirá em discussão.

Devido às regras do Senado, eram necessários 60 votos de 100 para avançar, e os republicanos precisaram do apoio de parlamentares da oposição para aprovar a proposta parcial.

Demandas dos democratas e reação política

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, listou medidas que exigem, afirmando querer “frear o ICE e pôr fim à violência”. Entre as propostas estão restrições ao uso de equipamentos que escondem a identidade de agentes, como balaclavas, que Schumer descreveu como símbolo de “polícia secreta”.

Na Casa Branca, o Escritório de Orçamento (OMB) orientou departamentos a preparar planos para um shutdown e afirmou ter “esperança de uma paralisação breve”.

Impactos previstos e comparação com o shutdown anterior

Analistas esperam impactos limitados, porque o bloqueio deve durar pouco, possivelmente apenas durante o fim de semana, até que a Câmara dos Representantes vote o projeto. Assim, poucos funcionários podem ser colocados em licença não remunerada e serviços essenciais continuarão a operar, embora com risco de atrasos.

O episódio ocorre três meses após o fechamento governamental mais longo da história americana, que se estendeu por 43 dias entre outubro e novembro do ano anterior, quando republicanos e democratas disputaram subsídios aos seguros de saúde.

A espera agora está na votação da Câmara, programada para o início da próxima semana, que pode encerrar o shutdown do governo Trump se aprovar o texto, ou ampliar a crise caso as negociações sobre o DHS não avancem.

O que vem a seguir

Se a Câmara aprovar o projeto encaminhado pelo Senado, o bloqueio será suspenso e o orçamento seguirá com ajustes nas próximas semanas, com negociações específicas sobre o DHS e o financiamento do ICE.

Se não houver acordo, as negociações podem se prolongar, elevando o risco de novas interrupções em serviços públicos e pressionando ambas as bancadas a buscar compromissos rápidos.