Sling TSi autorizado pela Anac: fábrica em Jaguaré, Espírito Santo, pode fabricar e comercializar aviões leves e já planeja ampliar produção e certificar novos modelos
Autorização libera venda no Brasil do avião leve Sling TSi, produzido integralmente em Jaguaré, e abre caminho para ampliar capacidade, certificar novos modelos e fortalecer aviação geral local
Uma fábrica de aviões leves instalada em Jaguaré, no Espírito Santo, recebeu autorização da Anac para fabricar e comercializar o modelo Sling TSi no mercado brasileiro.
A aeronave de quatro lugares é produzida pela Sling Brasil, em parceria com a sul-africana Sling Aircraft, e já vinha sendo montada e testada no estado, com voos de demonstração realizados pela empresa.
A companhia planeja aumentar a produção e seguir com a certificação de outros modelos, com expectativa de concluir a próxima aprovação até junho de 2027, conforme informação divulgada pelo g1.
Processo de certificação e declaração da empresa
Segundo a empresa, a certificação foi concedida no fim de dezembro de 2025 e publicada no Diário Oficial da União na semana passada. O processo é considerado longo e rigoroso, como é comum na indústria aeronáutica.
Sobre a validação técnica do avião, a Sling Brasil citou que, apesar de o produto já estar desenvolvido e a linha de montagem ativa, era necessária a certificação. A empresa destacou as palavras do sócio-investidor, Lucas Mota, “Embora o produto já estivesse desenvolvido e a gente já trabalhasse na linha de montagem há bastante tempo, ele precisava ser certificado. A Anac apurou que a aeronave cumpre todos os requisitos de qualidade de fabricação e segurança para ir ao mercado”, explicou Lucas Mota, sócio-investidor da Sling Brasil.
Produção em Jaguaré e parceria internacional
A Sling Brasil atua em parceria com a Sling Aircraft, que detém o projeto original do avião, mas a fabricação é feita integralmente no Espírito Santo. Antes do Sling TSi, a empresa já havia obtido autorização para produzir o Sling 2, uma aeronave de dois lugares.
O Sling TSi é um modelo mais robusto, com quatro assentos, e já participou de voos de teste e demonstrações promovidas pela fábrica, o que contribuiu para a fase final do processo de certificação.
Mercado de aviação leve e capacidade produtiva
As aeronaves produzidas em Jaguaré são voltadas ao mercado de aviação geral, destinado a pilotos não comerciais que usam aviões para lazer ou atividades profissionais específicas.
“Normalmente quem compra esse tipo de aeronave é o próprio piloto. Existe uma comunidade grande de aviação geral, com aviões particulares espalhados pelo estado, como em aeroclubes da Grande Vitória”, explicou Lucas Mota, segundo a empresa.
A capacidade produtiva atual da empresa é de até 39 aeronaves por ano.
Expansão, novos modelos e impacto regional
Com a certificação do Sling TSi, a empresa espera ampliar a produção e buscar a homologação de outras aeronaves. Um novo avião, maior e também com quatro lugares, já está em fase de análise pela Anac, com previsão de concluir a certificação até junho de 2027.
Para os responsáveis pela fábrica, a autorização representa um marco para o Espírito Santo, que não integra o eixo tradicional da indústria aeronáutica brasileira, concentrado no interior de São Paulo. A empresa ressalta que o estado tem mão de obra qualificada e estrutura para projetos de alta tecnologia.
A certificação e a produção local podem fortalecer a cadeia produtiva regional e atrair investimentos para atividades de alta complexidade no estado, além de ampliar a oferta de aeronaves para a comunidade de aviação geral no Brasil.