Sling TSi, fabricação de aviões no Espírito Santo: Anac autoriza produção e comercialização em Jaguaré, empresa planeja ampliar para 39 aeronaves por ano

Autorização da Anac libera a produção do modelo Sling TSi em Jaguaré, Espírito Santo, e abre caminho para certificações adicionais e expansão da capacidade produtiva local

A certificação permite que o avião leve Sling TSi seja fabricado e comercializado no Brasil, com produção instalada em Jaguaré, no Espírito Santo.

A empresa que produz o modelo já trabalha na linha de montagem na cidade, e afirma que a autorização abre espaço para ampliar a produção e buscar a certificação de novos modelos.

As informações iniciais sobre a autorização foram divulgadas em reportagem do g1, conforme informação divulgada pelo g1

Autorização e avaliação da Anac

Segundo a empresa, “A certificação foi concedida no fim de dezembro de 2025 e publicada no Diário Oficial da União na semana passada.” O processo é considerado longo e rigoroso, como é comum na indústria aeronáutica, e exigiu verificações técnicas detalhadas.

O sócio-investidor da Sling Brasil, Lucas Mota, explicou o trabalho prévio com o produto, ao afirmar, “Embora o produto já estivesse desenvolvido e a gente já trabalhasse na linha de montagem há bastante tempo, ele precisava ser certificado. A Anac apurou que a aeronave cumpre todos os requisitos de qualidade de fabricação e segurança para ir ao mercado”.

Produção em Jaguaré e parceria internacional

A Sling Brasil é uma parceria com a sul-africana Sling Aircraft, titular do projeto do avião, porém a fabricação é feita integralmente no Espírito Santo. Antes do Sling TSi, a empresa já havia recebido autorização para produzir o modelo Sling 2, uma aeronave de dois lugares.

O Sling TSi é um avião de quatro assentos, mais robusto que o Sling 2, e já foi utilizado em voos de teste e demonstrações realizados no estado.

Mercado de aviação leve e demanda

As aeronaves produzidas em Jaguaré se destinam ao mercado de aviação leve, com público formado por pilotos não comerciais que usam aviões para lazer ou atividades profissionais específicas.

Sobre o perfil dos compradores, Lucas Mota disse, “Normalmente quem compra esse tipo de aeronave é o próprio piloto. Existe uma comunidade grande de aviação geral, com aviões particulares espalhados pelo estado, como em aeroclubes da Grande Vitória”.

Atualmente, a capacidade produtiva declarada da fábrica é de até 39 aeronaves por ano, número que a empresa pretende elevar com a nova certificação.

Expansão, novos modelos e impacto regional

Com a autorização do Sling TSi, a empresa já planeja avançar na aprovação de outras aeronaves. Um novo modelo, também com quatro lugares, está em análise pela Anac, com previsão de conclusão da certificação até junho de 2027.

Para a Sling Brasil, a certificação é também um marco para o Espírito Santo, estado fora do principal eixo da indústria aeronáutica brasileira, que concentra-se no interior de São Paulo. “Existe uma surpresa por estarmos fora desse eixo tradicional, mas o Espírito Santo reúne condições para receber projetos de alta tecnologia. Há mão de obra qualificada e estrutura para indústrias de alta complexidade”, afirmou o sócio-investidor.

O avanço da fabricação de aviões no Espírito Santo pode reforçar a cadeia local de fornecedores e a formação de mão de obra especializada, além de ampliar a oferta ao mercado de aviação geral no país.