Só 3 países ampliaram compras de café brasileiro 2025 entre os maiores importadores, Japão, China e Turquia desafiam queda de 20,8% nas exportações
Análise das compras de café brasileiro 2025, com recuo de 20,8% no volume exportado e exceções do Japão, Turquia e China que aumentaram aquisições do produto
O Brasil viu o volume das exportações de café cair no último ano, enquanto a receita bateu recorde, em função dos preços mais altos no mercado internacional.
Entre os dez maiores importadores, apenas três países compraram mais do produto brasileiro em 2025, um comportamento que foge à tendência geral de queda.
Japão, Turquia e China seguiram na contramão por motivos distintos, incluindo recomposição de estoques, demanda interna e crescimento do consumo, conforme informação divulgada pelo g1.
Queda geral nos volumes e impacto do tarifaço
Segundo dados divulgados, “Entre janeiro e dezembro de 2025, o Brasil exportou 40,049 milhões de sacas de 60 kg de café, considerando todos os tipos do produto, para 121 países.” O volume representa “queda de 20,8% em relação a 2024, apesar da receita recorde, impulsionada pelos preços mais altos do café no mercado internacional.”
No mercado norte-americano, “as exportações brasileiras caíram 33,9% em 2025 após o tarifaço, que continua em vigor para o café solúvel.” Com isso, os EUA deixaram de ser o principal comprador e a Alemanha assumiu a liderança, apesar de também ter diminuído suas compras, “As exportações para o país europeu caíram 28,7%.” Essas perdas em mercados-chave explicam parte do recuo no volume total.
Por que Japão, Turquia e China compraram mais
O Japão foi uma exceção clara, “O Japão foi o quarto maior comprador de café brasileiro em 2025, com importações superiores a 2,6 milhões de sacas, um aumento de 19,4% em relação a 2024.” Na avaliação do presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a alta está ligada à recomposição de estoques, “O Japão passou por um período em que comprou menos café do Brasil, porque estava com bastante estoque. Na medida que eles foram baixando, eles voltaram a comprar”.
A Turquia, “sexta maior importadora do café brasileiro, ampliou as compras em 3,26% em 2025.” O país tem comprado mais para atender o mercado interno e para redistribuir para países vizinhos, incluindo aqueles em situação de conflito, segundo Ferreira, “A Turquia exporta café para vários países em situação de dificuldade, em guerra”.
A China apresenta crescimento rápido no consumo, e “em 2025, a China comprou 19,49% mais café brasileiro do que no ano anterior, totalizando 1,1 milhão de sacas de 60 kg.” Sobre o comportamento chinês, Ferreira afirma, “Ao contrário de países que buscam preços competitivos no mundo, a China prioriza o café arábica brasileiro” e observa que “O país segue numa crescente. Os jovens chineses estão tomando cada vez mais café”, acrescentando que “O que temos de consumo, agora, é muito aquém do que veremos nos próximos cinco, dez anos.”
O que isso significa para produtores e o mercado em 2026
O cenário de 2025 mostra que, mesmo com queda de volume, o mercado global do café continua em transformação, com preços sustentando receita recorde e padrões de compra variando por região. A perda de espaço nos EUA e na Europa pesa, mas a recomposição de estoques no Japão e a demanda crescente da China oferecem caminhos alternativos para exportadores brasileiros.
Produtores e exportadores devem acompanhar a evolução do tarifaço e a dinâmica de estoques nos importadores, além de observar o comportamento de mercados em expansão, como o chinês, que pode compensar parte das quedas em outros destinos.