Superávit comercial da China atinge recorde de US$ 1,189 trilhão em 2025, apesar das tarifas de Trump, com forte expansão das exportações para Ásia, África e América Latina
China fecha 2025 com superávit comercial recorde de US$ 1,189 trilhão, impulsionado por vendas fora dos EUA, incluindo ASEAN, África e América Latina, e enfrenta dilemas para 2026
O comércio externo da China terminou 2025 com um resultado histórico, em um movimento que mistura ganho de participação global e riscos domésticos.
Produtores chineses ampliaram vendas a mercados além dos Estados Unidos para driblar tarifas e tensões, enquanto a demanda interna segue fraca, criando capacidade ociosa nas fábricas.
Rumo a 2026, autoridades em Pequim terão de conciliar a necessidade de manter vantagens competitivas com preocupações globais sobre práticas comerciais e dependência de produtos chineses essenciais, conforme informação divulgada pelo g1.
Dados principais e crescimento das exportações
O balanço anual levou a China a um superávit comercial da China recorde, de US$ 1,189 trilhão, valor equiparado ao PIB de uma das 20 maiores economias do mundo, segundo dados alfandegários citados pela reportagem.
Em dezembro, as exportações cresceram 6,6% em valor na comparação anual, contra previsão de 3,0% e contra 5,9% em novembro. As importações aumentaram 5,7%, superando a expectativa de 0,9% e o avanço de 1,9% do mês anterior.
Os superávits mensais superaram US$ 100 bilhões sete vezes no ano, uma elevação em relação a 2024, em parte sustentada por um yuan mais fraco, e demonstrando que as tarifas americanas tiveram impacto limitado sobre o comércio da China com o resto do mundo.
Redistribuição geográfica das vendas e números por regiões
As fábricas chinesas reduziram embarques para os EUA, mas conquistaram espaço em outras regiões, com queda de 20% nas exportações para os EUA em dólares no ano, e recuo de 14,6% nas importações provenientes dos EUA.
Ao mesmo tempo, as exportações para a África subiram 25,8%, para o bloco ASEAN aumentaram 13,4% e os embarques à União Europeia cresceram 8,4%. Esses movimentos ajudaram a construir o grande superávit comercial da China em 2025.
As remessas de terras raras atingiram seu nível mais alto desde pelo menos 2014, apesar de Pequim ter começado a restringir a exportação de vários elementos a partir de abril, movimento interpretado como demonstração de influência em negociações com Washington.
Vozes de analistas e sinais internos
Analistas e autoridades apontam fatores distintos para o desempenho. O economista-chefe para a Ásia do HSBC, Fred Neumann, afirmou, "A economia da China continua extraordinariamente competitiva".
Neumann acrescentou, "Embora isso reflita ganhos de produtividade e a crescente sofisticação tecnológica dos fabricantes chineses, também se deve à fraca demanda interna e à consequente capacidade ociosa."
Do lado oficial, Wang Jun, vice-ministro da administração aduaneira chinesa, disse em coletiva, "Com parceiros comerciais mais diversificados, a capacidade da China de resistir a riscos foi significativamente aprimorada".
Riscos, política externa e perspectivas para 2026
Apesar do superávit, Pequim encara desafios, como a necessidade de dissipar preocupações de capitais globais sobre práticas comerciais e a dependência de produtos chineses essenciais.
Os ganhos por meio da criação de centros de produção no exterior, que permitem acesso a tarifas menores nos EUA e na UE, e a demanda por chips menos avançados devem pressionar a China a continuar ganhando participação de mercado em 2026, segundo economistas citados.
Por outro lado, há sinais de que governos parceiros começam a agir para moderar o excesso de exportações, como o Reino Unido, que recentemente eliminou incentivos fiscais à exportação para o setor de energia solar.
O fator Trump segue influindo no cenário, com medidas tarifárias e retórica que podem elevar tensões comerciais, e com a possibilidade de decisões da Suprema Corte dos EUA sobre os aumentos tarifários ainda pairando no curto prazo.
Em síntese, o superávit comercial da China em 2025 confirma a resiliência exportadora do país, mas também expõe fragilidades internas e riscos geopolíticos que serão testados em 2026.