Superávit da balança comercial sobe 86% em janeiro, atinge US$ 4,32 bilhões, apesar do tarifaço dos EUA, com China e Oriente Médio compensando perdas
Resultado de janeiro mostra recuperação do superávit da balança comercial, com exportações ampliadas para China, México e Oriente Médio, enquanto vendas aos EUA recuam
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que a balança comercial registrou superávit de US$ 4,32 bilhões em janeiro, resultado que representa alta de 85,8% frente a igual mês de 2025.
Em janeiro, as exportações totalizaram US$ 24,7 bilhões, com alta de 2,3% frente ao mesmo período de 2025, e as importações somaram US$ 20,4 bilhões, com queda de 12,5% na mesma comparação.
O bom desempenho do superávit da balança comercial em janeiro foi compensado por maior venda a mercados como China, México e Oriente Médio, apesar do impacto do tarifaço aplicado pelos Estados Unidos, conforme informação divulgada pelo g1.
Detalhes do resultado de janeiro
Segundo os dados oficiais, o saldo positivo de US$ 4,32 bilhões foi o segundo melhor para meses de janeiro desde o início da série histórica, em 1989, e o melhor desde janeiro de 2024, quando o saldo chegou a US$ 6,2 bilhões.
O governo também divulgou outra leitura por dia útil, com exportações somando US$ 25,15 bilhões, alta de 3,8% na média por dia útil, e importações de US$ 20,1 bilhões, queda de 5,5% na média por dia útil.
Impacto do tarifaço dos EUA
O chamado tarifaço dos Estados Unidos reduziu as vendas brasileiras ao mercado norte-americano, com as exportações para os EUA recuando para US$ 2,4 bilhões em janeiro, contra US$ 3,22 bilhões no mesmo mês do ano passado, queda de 25,5%.
Ao mesmo tempo, as importações do Brasil dos EUA totalizaram US$ 3,07 bilhões em janeiro, com queda de 10,9% frente a janeiro de 2025, quando somaram US$ 3,44 bilhões. Com isso, a balança com os EUA registrou um déficit de US$ 668 milhões no mês.
O tarifaço foi aplicado de forma gradual desde abril, com sobretaxas específicas anunciadas em agosto, entre elas uma sobretaxa de 50% para o Brasil, e uma lista de exceções com mais de 700 itens. Com a aproximação entre os presidentes, negociações aliviaram parte das medidas, e em novembro os EUA retiraram do tarifaço produtos como carne bovina, café, açaí e cacau, embora parte da pauta continue tarifada.
Variação por produtos e destinos
Nas exportações por produto, os destaques foram: Óleos brutos de petróleo, US$ 4,3 bilhões, queda de 7,8%, e minério de ferro, US$ 2,05 bilhões, recuo de 8,6%.
Houve aumento significativo em outros itens, como carne bovina, com US$ 1,3 bilhão e alta de 42,5%. Já café não torrado registrou US$ 1,01 bilhão, queda de 23,7%, e celulose somou US$ 957 milhões, queda de 6,1%.
Por destinos, as exportações para a China cresceram 17,4%, para US$ 6,47 bilhões. O Mercosul caiu 13,5%, para US$ 1,45 bilhão, e a União Europeia recuou 6,2%, para US$ 3,92 bilhões. Já o México registrou alta de 24,4%, para US$ 411 milhões, e o Oriente Médio subiu 31,6%, para US$ 1,78 bilhão.
Perspectivas e leitura econômica
Analistas apontam que a capacidade do Brasil de redirecionar vendas para outros mercados foi crucial para a alta do superávit da balança comercial em janeiro, mesmo com a queda das exportações para os EUA e para a União Europeia.
O cenário para os próximos meses depende da continuidade das negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre o tarifaço, e da demanda externa, especialmente da China. A combinação entre ajuste nas exportações e queda nas importações ajudou a elevar o saldo comercial no início do ano.