Impacto do tarifaço dos EUA freou vendas ao mercado americano, mas exportações para China, México e Oriente Médio elevaram o superávit da balança comercial em janeiro
A balança comercial abriu 2026 com um salto no saldo positivo, mesmo diante de barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos. O resultado foi puxado por avanços em destinos alternativos às vendas externas brasileiras.
O crescimento do superávit em janeiro decorreu tanto da retração das importações quanto do aquecimento das vendas para mercados fora dos EUA, entre eles China e Oriente Médio.
Os números oficiais mostram uma melhora expressiva no saldo comercial no primeiro mês do ano, conforme informação divulgada pelo g1.
Resultado geral e números oficiais
A balança comercial registrou superávit de US$ 4,32 bilhões em janeiro, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços nesta quinta-feira (5). Segundo dados oficiais, houve um aumento de 85,8% no saldo positivo na comparação com o mesmo mês de 2025, com alta de +US$ 2,34 bilhões.
De acordo com o governo, em janeiro, as exportações totalizaram US$ 24,7 bilhões, com alta de 2,3% frente ao mesmo período de 2025. As importações somaram US$ 20,4 bilhões, com queda de 12,5% na mesma comparação.
Em outra medição divulgada pelo governo, as exportações somaram US$ 25,15 bilhões, com alta de 3,8% na média por dia útil, e as importações somaram US$ 20,1 bilhões, com queda de 5,5% na média por dia útil, o que reforça a queda das compras externas e o aumento do saldo.
Como o tarifaço dos EUA afetou as vendas brasileiras
Sob o impacto do tarifaço, as exportações brasileiras para os EUA recuaram para US$ 2,4 bilhões em janeiro deste ano, contra US$ 3,22 bilhões no mesmo mês do ano passado, um recuo de 25,5%. Ao mesmo tempo, as importações brasileiras de produtos norte-americanos totalizaram US$ 3,07 bilhões em janeiro deste ano, com queda de 10,9% frente ao mesmo período de 2025, quando somaram US$ 3,44 bilhões.
Com estes resultados, a balança comercial com os EUA registrou um déficit de US$ 668 milhões no primeiro mês de 2026.
O tarifaço do presidente Donald Trump foi implementado de forma gradual, com início em abril para todos os países, embora alguns produtos tenham recebido taxação mais elevada, como aço e alumínio. Em agosto, foi anunciada uma sobretaxa específica de 50% para o Brasil, apesar de uma extensa lista de exceções, com mais de 700 itens, incluindo suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes.
Com o passar dos meses e a aproximação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as negociações avançaram e, em novembro, os EUA retiraram do tarifaço outros produtos brasileiros, como carne bovina, café, açaí e cacau, porém parte da pauta segue tarifada.
Destaques das exportações em janeiro
Mesmo com os entraves com os EUA, o Brasil conseguiu impulsionar vendas para outros mercados. Entre os principais produtos exportados em janeiro, os dados apontam: óleos brutos de petróleo, US$ 4,3 bilhões, com queda de 7,8%, minério de ferro, US$ 2,05 bilhões, com recuo de 8,6%, carne bovina, US$ 1,3 bilhão, com aumento de 42,5%, café não torrado, US$ 1,01 bilhão, com queda de 23,7%, e celulose, US$ 957 milhões, com queda de 6,1%.
Comércio por região e compensações
O desempenho positivo do superávit foi sustentado pela ampliação das vendas a parceiros fora dos EUA. As exportações para a China cresceram 17,4%, para US$ 6,47 bilhões, enquanto para o México houve avanço de 24,4%, para US$ 411 milhões, e para o Oriente Médio o aumento foi de 31,6%, para US$ 1,78 bilhão.
Por outro lado, as exportações para blocos e parceiros tradicionais registraram recuos, com queda de 6,2% para a União Europeia, para US$ 3,92 bilhões, e de 13,5% para o Mercosul, para US$ 1,45 bilhão.
Perspectivas e implicações
O resultado de janeiro mostra que o Brasil conseguiu realocar parte de sua pauta exportadora diante de barreiras tarifárias, elevando o superávit da balança comercial apesar da pressão dos EUA. A diversificação de mercados ajudou a mitigar o impacto do tarifaço, mas a manutenção de sobretaxas sobre itens relevantes segue representando um risco para setores específicos.
No curto prazo, a evolução do saldo comercial dependerá tanto da retomada de cota de mercado nos Estados Unidos, com eventuais novas negociações políticas e comerciais, quanto do comportamento da demanda chinesa e das cotações de commodities, que influenciam fortemente valores como óleo cru e minério de ferro.
As autoridades e empresas acompanharão números mensais para avaliar se a tendência de realocação de mercados se estabiliza e se o superávit da balança comercial seguirá ampliando nos próximos trimestres.