Superávit da balança comercial avança forte em janeiro, com exportações para China e Oriente Médio compensando impacto do tarifaço dos EUA
O Brasil registrou um aumento expressivo no saldo comercial de janeiro, mesmo diante de barreiras tarifárias aplicadas pelos Estados Unidos.
O resultado foi influenciado pela elevação das exportações para mercados alternativos, e pela redução das importações, em média por dia útil.
Os números oficiais mostram um desempenho superior ao de janeiro do ano passado, conforme informação divulgada pelo g1
Resultado mensal e comparação anual
De acordo com o governo, a balança comercial registrou superávit de US$ 4,32 bilhões em janeiro. Esse saldo representa alta de 85,8% ante o mesmo mês de 2025, o que equivale a um aumento de US$ 2,34 bilhões.
Foi o melhor resultado para janeiro desde 2024, quando o saldo havia sido de US$ 6,2 bilhões, e o segundo melhor para esse mês desde o início da série histórica, em 1989.
Exportações e importações, por dia útil
As exportações somaram US$ 25,15 bilhões, com alta de 3,8% na média por dia útil. As importações totalizaram US$ 20,1 bilhões, com queda de 5,5% na média por dia útil.
O movimento de queda nas importações ajudou a ampliar o saldo positivo, mesmo com alguns recuos nas vendas a parceiros tradicionais.
Produtos e destinos, o que se destacou
Entre os principais produtos exportados, os números foram: óleos brutos de petróleo, US$ 4,3 bilhões, queda de 7,8%; minério de ferro, US$ 2,05 bilhões, recuo de 8,6%; carne bovina, US$ 1,3 bilhão, alta de 42,5%; café não torrado, US$ 1,01 bilhão, queda de 23,7%; celulose, US$ 957 milhões, queda de 6,1%.
Em termos regionais, as exportações para a China subiram 17,4%, para US$ 6,47 bilhões, enquanto o Mercosul caiu 13,5%, para US$ 1,45 bilhão. A União Europeia registrou recuo de 6,2%, para US$ 3,92 bilhões. Já México e Oriente Médio cresceram, para US$ 411 milhões e US$ 1,78 bilhão, respectivamente.
Impacto do tarifaço dos EUA e desdobramentos
O chamado tarifaço dos Estados Unidos reduziu as vendas brasileiras ao país, que caíram para US$ 2,4 bilhões em janeiro, ante US$ 3,22 bilhões no mesmo mês do ano passado, recuo de 25,5%.
Ao mesmo tempo, as importações do Brasil de produtos norte-americanos somaram US$ 3,07 bilhões em janeiro, queda de 10,9% frente a janeiro de 2025, quando foram US$ 3,44 bilhões. Com isso, a balança com os EUA teve déficit de US$ 668 milhões no mês.
O tarifaço foi aplicado de forma gradual desde abril, com aumento específico de 50% anunciado para o Brasil em agosto, e uma lista de exceções com mais de 700 itens, incluindo suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes. Com a aproximação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, houve remoções de tarifas em novembro para produtos como carne bovina, café, açaí e cacau, mas parte da pauta segue tarifada.
Perspectiva e fatores a acompanhar
O avanço do superávit da balança comercial em janeiro mostra que ganhos em mercados como China, México e Oriente Médio foram determinantes, compensando perdas nos EUA, na União Europeia e no Mercosul.
Nos próximos meses, a evolução dependerá da continuidade da abertura americana, da demanda chinesa por commodities e da dinâmica das importações internas, que influenciam o saldo comercial.
Os números divulgados pelo governo e analisados pelo mercado serão monitorados para avaliar se a tendência de realocação de destinos se mantém e se o impacto do tarifaço continuará sendo reduzido ao longo do ano.