quinta-feira, junho 4, 2026

Superávit da balança comercial sobe 86% em janeiro para US$ 4,32 bilhões, mesmo com tarifaço dos EUA, impulso de China, México e Oriente Médio

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Apesar do tarifaço dos EUA reduzir vendas ao país, o superávit da balança comercial subiu para US$ 4,32 bilhões em janeiro, por ampliação das vendas a outros mercados

O Brasil registrou um saldo comercial positivo de US$ 4,32 bilhões em janeiro, com aumento expressivo na comparação anual, mesmo diante de medidas tarifárias aplicadas pelos Estados Unidos.

O resultado foi impulsionado por crescimento de vendas a destinos como China, México e Oriente Médio, e por queda das importações, o que ajudou a ampliar o saldo, apesar da redução das exportações para os EUA.

Estas informações constam no balanço divulgado pelo governo, conforme informação divulgada pelo g1.

Resumo dos números e leitura do mês

Segundo o governo, houve um aumento de 85,8% no saldo positivo</b na comparação com janeiro de 2025, o que representa +US$ 2,34 bilhões. O superavit de janeiro de 2026 ficou em US$ 4,32 bilhões, o melhor resultado para meses de janeiro desde 2024, quando houve um saldo de US$ 6,2 bilhões, e o segundo melhor da série histórica iniciada em 1989.

O governo divulgou ainda dois recortes das estatísticas, um baseado no total do mês e outro na média por dia útil. No total, as exportações foram de US$ 24,7 bilhões, com alta de 2,3% frente a janeiro de 2025, e as importações somaram US$ 20,4 bilhões, com queda de 12,5%. Em termos de média por dia útil, as exportações chegaram a US$ 25,15 bilhões, com alta de 3,8%, e as importações a US$ 20,1 bilhões, com queda de 5,5%.

Produtos que mais se destacaram

Entre os principais itens exportados em janeiro, o governo informou que os óleos brutos de petróleo geraram US$ 4,3 bilhões, com queda de 7,8%, enquanto o minério de ferro somou US$ 2,05 bilhões, recuando 8,6%. A carne bovina se destacou positivamente, com vendas de US$ 1,3 bilhão, alta de 42,5%. Outros itens citados foram café não torrado com US$ 1,01 bilhão, queda de 23,7%, e celulose com US$ 957 milhões, recuo de 6,1%.

Impacto do tarifaço dos EUA

O chamado tarifaço implementado pelos Estados Unidos afetou as vendas brasileiras ao mercado norte-americano. Em janeiro, as exportações do Brasil para os EUA recuaram para US$ 2,4 bilhões, ante US$ 3,22 bilhões no mesmo mês do ano anterior, uma queda de 25,5%.

Ao mesmo tempo, as importações brasileiras de produtos dos EUA totalizaram US$ 3,07 bilhões em janeiro, com queda de 10,9% frente a janeiro de 2025, quando somaram US$ 3,44 bilhões. Com isso, a balança com os EUA registrou um déficit de US$ 668 milhões no mês.

O tarifaço foi aplicado de forma gradual a partir de abril, com uma sobretaxa específica de 50% anunciada para o Brasil em agosto, embora o governo americano tenha divulgado uma extensa lista de exceções, com mais de 700 itens, incluindo suco de laranja, aeronaves, petróleo e fertilizantes. Com o avanço das negociações entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, os EUA retiraram do tarifaço alguns produtos em novembro, como carne bovina, café, açaí e cacau, mas parte da pauta brasileira segue tarifada.

Destino das exportações e perspectivas

O desempenho positivo do saldo comercial foi apoiado pelo aumento de vendas a outros mercados. As exportações para a China cresceram 17,4%, para US$ 6,47 bilhões. O Oriente Médio teve alta de 31,6%, para US$ 1,78 bilhão, e o México registrou avanço de 24,4%, para US$ 411 milhões.

Por outro lado, houve queda nas vendas para blocos como o Mercosul, com -13,5% para US$ 1,45 bilhão, e para a União Europeia, com -6,2% para US$ 3,92 bilhões. Esses movimentos mostram que o Brasil vem diversificando mercados, o que ajudou a compensar parcialmente os efeitos das tarifas americanas.

Analistas e agentes do setor vão acompanhar as negociações diplomáticas e eventuais mudanças nas tarifas, porque a continuidade ou reversão das medidas terá impacto direto nas estratégias de exportação, na pauta de produtos e no comportamento das importações.

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