Resultado fiscal de 2025 consolida política de superávit fiscal Argentina 2025, com cortes de gastos, redução de subsídios e promessa de aliviar impostos
A Argentina encerrou 2025 com superávit nas contas públicas pelo segundo ano consecutivo, fruto de um forte ajuste fiscal e da política chamada de “déficit zero” do presidente Javier Milei.
O fechamento do ano traz números positivos nas contas, mas também revela escolhas de gasto que afetaram áreas sociais e investimentos públicos.
Os dados oficiais foram divulgados pelo governo e seguem, em partes, as condições do acordo com o Fundo Monetário Internacional, conforme informação divulgada pelo g1.
A conta fiscal de 2025
Segundo o ministro da Economia, Luis Caputo, o “superávit primário alcançou 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o superávit fiscal ficou em 0,2% do PIB”.
O resultado representa um leve recuo ante 2024, quando o “superávit primário foi de 1,8% e o superávit fiscal alcançou 0,3%”.
Medidas do governo e impacto social
O desempenho fiscal de 2025 foi sustentado por um forte ajuste nos gastos públicos, incluindo a redução de subsídios e o congelamento de orçamentos em áreas como educação, saúde, pesquisa científica e obras públicas.
O presidente celebrou o resultado, dizendo, “A âncora fiscal (déficit zero) é e será uma política de Estado”.
O ministro Luis Caputo afirmou que “A ordem nas contas públicas e o crescimento econômico permitirão continuar devolvendo recursos ao setor privado na forma de redução de impostos”.
Apesar da melhora fiscal, houve variações sociais recentes, com a pobreza passando de 52,9% da população no primeiro semestre de 2024 para 31% no primeiro semestre de 2025, dados que indicam recuperação parcial, enquanto os números do segundo semestre ainda serão divulgados.
Inflação, acordo com o FMI e câmbio
A inflação oficial encerrou 2025 em 31,5%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor do Indec. Esse índice ficou bem abaixo dos 117,8% registrados em 2024, e é o menor valor desde 2017.
Em dezembro, o IPC acelerou pelo quarto mês consecutivo, a 2,8% no mês, acima dos 2,5% registrados em novembro. Ao longo de 2025, a taxa mensal ficou entre 2% e 3% na maior parte do ano, com tendência de aceleração a partir de maio.
No início do governo Milei, a melhora em alguns indicadores permitiu, em abril de 2025, um acordo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional, com a primeira parcela de US$ 12 bilhões entregue poucos dias depois.
O repasse foi visto como um voto de confiança no programa do governo, em meio a uma dívida histórica com o FMI que já superava os US$ 40 bilhões.
Após o acordo, o banco central reduziu controles cambiais, aboliu a paridade fixa para o peso e adotou um câmbio flutuante, medidas que buscaram normalizar o mercado de moedas, embora intervenções pontuais tenham sido retomadas diante de pressões nos mercados.
Leitura final
O fechamento com superávit fiscal Argentina 2025 marca um momento de consolidação das contas públicas, resultado direto da política de ajuste de Milei, e abre espaço para novas decisões sobre impostos e gastos públicos.
Ao mesmo tempo, a combinação entre ajuste, inflação mais baixa que em 2024 e o acordo com o FMI coloca desafios políticos e sociais, especialmente no que tange à proteção de serviços essenciais e à redução da pobreza, metas que continuam no centro do debate econômico argentino.