quinta-feira, junho 4, 2026

Superávit fiscal Argentina 2025 com reformas de Milei, segundo ano seguido de contas positivas, inflação em 31,5%, cortes em subsídios e acordo com o FMI

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Com política de ‘déficit zero’, país fechou 2025 com superávit primário de 1,4% do PIB e superávit fiscal de 0,2% do PIB, após forte ajuste nos gastos públicos

O governo argentino anunciou que as contas públicas registraram resultado positivo em 2025 pelo segundo ano seguido.

O desempenho é atribuído à política fiscal adotada pelo presidente Javier Milei e a cortes expressivos em gastos, com impacto em subsídios e orçamento de áreas sociais e de pesquisa.

Os números mostram melhora fiscal após um período de forte desequilíbrio, mas levantam dúvidas sobre os efeitos sociais e a trajetória da inflação.

conforme informação divulgada pelo g1

Resultados fiscais e ajuste de gastos

Em 2025, o superávit primário alcançou 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o superávit fiscal ficou em 0,2% do PIB, segundo o ministro da Economia, Luis Caputo. O dado confirma dois anos consecutivos de saldo positivo nas contas públicas, algo que não ocorria desde 2008.

O governo destacou que o resultado representa um leve recuo em relação a 2024, quando o superávit primário foi de 1,8% e o superávit fiscal alcançou 0,3%, mas reforçou a manutenção da ‘âncora fiscal’, com a promessa de transformar a política em política de Estado.

O ajuste fiscal incluiu a redução de subsídios e o congelamento de orçamentos em áreas como educação, saúde, pesquisa científica e obras públicas, medidas que ajudam a explicar o resultado, e que alimentam críticas sobre impacto social e investimento público.

Inflação e situação social

A Argentina encerrou 2025 com inflação de 31,5%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), divulgado na terça-feira (13) pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).

O resultado ficou bem abaixo dos 117,8% registrados em 2024 e é o menor valor desde 2017. Em dezembro, o indicador acelerou pelo quarto mês consecutivo, a 2,8% no mês, acima dos 2,5% registrados em novembro.

Ao longo de 2025 a taxa mensal permaneceu entre 2% e 3%, com poucas leituras abaixo de 2%, mas o ritmo começou a mostrar aceleração gradual a partir de maio, o que preocupa o governo ao buscar estabilidade cambial e controle da inflação.

Apesar da melhora fiscal e da desaceleração anual, a pobreza apresentou variações fortes, com 52,9% da população em situação de pobreza no primeiro semestre de 2024 e 31% no primeiro semestre de 2025, segundo os dados divulgados. Os números do segundo semestre de 2025 ainda serão divulgados.

Acordo com o FMI e política cambial

No início do governo Milei, a melhora nos indicadores econômicos permitiu que a Argentina alcançasse, em abril de 2025, um acordo de US$ 20 bilhões em empréstimos junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). A primeira parcela, de US$ 12 bilhões, foi disponibilizada ao país poucos dias depois.

O acordo foi visto como um voto de confiança do FMI no programa econômico, e logo após o repasse o banco central anunciou redução dos controles cambiais, o chamado ‘cepo’, e a adoção de câmbio flutuante, encerrando a paridade fixa do peso.

Mesmo com a flexibilização, a volatilidade dos mercados levou o governo a voltar a intervir no câmbio em determinados momentos, mostrando que a transição para um sistema sem restrições cambiais permanece sensível.

Reações, promessas e desafios à frente

O presidente comemorou o resultado e escreveu em sua conta no X, ‘A âncora fiscal (déficit zero) é e será uma política de Estado’, ressaltando o compromisso com o equilíbrio orçamentário.

O ministro da Economia afirmou que ‘A ordem nas contas públicas e o crescimento econômico permitirão continuar devolvendo recursos ao setor privado na forma de redução de impostos’, sinalizando cortes futuros de tributos como contrapartida ao ajuste.

Analistas destacam que, embora o superávit fiscal Argentina 2025 mostre disciplina orçamentária, o país ainda enfrenta desafios na recuperação do poder de compra, na manutenção da queda da pobreza e na sustentação da confiança de investidores, num cenário marcado por inflação mensal ainda elevada e necessidade de retomar investimentos em serviços públicos essenciais.

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