Suspeito de atentado terrorista em Sydney é transferido para prisão; ataque no Hanukkah choca Austrália
Suspeito de atentado terrorista em Sydney é transferido para prisão; ataque no Hanukkah choca Austrália
A Polícia da Austrália confirmou nesta segunda-feira (22) a transferência de Naveed Akram, de 24 anos, do hospital para a prisão. Ele era o principal suspeito de realizar o atentado terrorista na praia de Bondi, em Sydney, durante as celebrações do festival judaico de Hanukkah.
O ataque, que ocorreu no primeiro dia do Hanukkah, resultou na morte de 16 pessoas, incluindo um outro atirador, e deixou 40 feridos, entre eles dois policiais. Naveed Akram estava internado desde o incidente, após ter ficado gravemente ferido e chegado a ficar em coma.
Conforme informação divulgada pelo G1, Naveed Akram é acusado de 59 crimes, incluindo terrorismo. As autoridades australianas indicam que o ataque pode ter sido inspirado por ideologias do Estado Islâmico, e que o veículo utilizado pelos suspeitos continha bandeiras feitas à mão do grupo terrorista.
Suspeito e pai agiram juntos em ataque planejado
Naveed Akram é suspeito de ter agido em conjunto com seu pai, Sajid Akram, de 50 anos. Sajid morreu em confronto com a polícia logo após o atentado. A polícia classificou o evento como um “incidente terrorista” e destacou que o ataque foi planejado para atingir especificamente a comunidade judaica de Sydney.
O primeiro-ministro de Nova Gales do Sul, Chris Minns, ressaltou a crueldade do ato, planejado para coincidir com o início do Hanukkah. As vítimas tinham idades variadas, de 10 a 87 anos, com a mais jovem falecendo no hospital.
Investigação aponta para possível ligação com Estado Islâmico
Indícios iniciais apontam para um ataque terrorista inspirado pelo Estado Islâmico, segundo o porta-voz da polícia em coletiva. O veículo dos suspeitos, registrado em nome de Naveed Akram, continha bandeiras do grupo terrorista. A polícia também revelou que pai e filho teriam viajado para as Filipinas um mês antes do ataque.
Os motivos e detalhes dessa viagem estão sob investigação. Segundo a agência France-Presse, o pai entrou nas Filipinas com passaporte indiano, enquanto o filho utilizou um passaporte australiano. Um artefato explosivo suspeito também foi encontrado e removido de um carro próximo à praia.
Herói improvável desarmou um dos atiradores
Um momento de bravura marcou o ataque, quando um homem de 43 anos, vendedor de frutas, desarmou um dos atiradores. Ele foi atingido por dois disparos, mas se recupera bem no hospital, sendo descrito como um “herói genuíno” pelas autoridades. Imagens do ato corajoso circularam nas redes sociais.
O nível de ameaça terrorista na Austrália permanece como “provável”, segundo o diretor-geral da inteligência australiana, Mike Burgess. Ele afirmou que a agência está analisando a identidade dos atiradores e a possibilidade de outros indivíduos com intenções semelhantes na comunidade, embora não haja indicação disso no momento.
Repercussão internacional e endurecimento de leis
O ataque gerou condenação internacional, com manifestações de pesar e repúdio de líderes mundiais e organizações. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o episódio como um “ataque hediondo e mortal”.
O ataque em Bondi Beach remete à raridade de tiroteios em massa na Austrália, onde leis de controle de armas foram drasticamente endurecidas após um massacre em 1996. A comunidade judaica australiana recebeu manifestações de solidariedade de diversas partes do mundo.