Alckmin afirma que redução das sobretaxas americanas para 15% e ampliação de isenções beneficia o Brasil, especialmente produtos industriais e eletrônicos
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira em São Paulo que o Brasil foi o país mais beneficiado com as mudanças anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Alckmin falou sobre a nova tarifa global de 15% aplicada pelos EUA a produtos importados, que passa a valer nesta terça-feira, e destacou que a medida vem acompanhada de uma ampla lista de isenções que atinge itens industriais e tecnológicos.
As informações sobre a declaração foram divulgadas pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1.
O que mudou com o tarifaço
A medida adotada pela administração americana estabelece uma alíquota de 15% sobre importações, depois de a Suprema Corte ter derrubado parte do tarifaço aplicado com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, IEEPA. A nova regra entra em vigor nesta terça-feira, com extensa lista de itens isentos.
Conforme documento publicado pela Casa Branca, entre os produtos com imposto zerado estão petróleo, carne bovina, suco de laranja, café, além de produtos tecnológicos, como semicondutores e eletrônicos, o que traz impacto direto para exportações brasileiras.
Por que, segundo Alckmin, o Brasil é o mais beneficiado
Alckmin afirmou que, com a mudança, o país saiu de sobretaxas que chegavam a 50% e passou a ter uma alíquota única de 15% aplicada globalmente, o que, na visão dele, favorece o Brasil. Em suas palavras, “Essa decisão de 15% não tem problema, porque 15% vale para nós e para o mundo inteiro.
O presidente em exercício acrescentou, “O país mais beneficiado foi o Brasil, porque ninguém tinha 50% a mais. Somos o país mais beneficiado com essa decisão”, destacando que a redução beneficia produtos manufaturados brasileiros que enfrentavam sobretaxas de 10% mais 40%.
Impacto para indústria e comércio exterior
Alckmin afirmou que a nova configuração abre espaço para recuperar o comércio exterior com os Estados Unidos, ao dizer que “Abre-se aí uma avenida para voltarmos a ter um comércio exterior relevante com os EUA”. Ele ressaltou que, embora os EUA sejam o terceiro maior comprador do Brasil em volume, eles são fundamentais na compra de produtos industriais manufaturados.
Segundo o vice-presidente, “O maior comprador do Brasil é a China. O segundo é a União Europeia. O terceiro são os Estados Unidos. Mas, embora estejam em terceiro lugar, são primeiríssimos quando se trata de produto industrial manufaturado”, e observou que “Então, as tarifas de 10% mais 40% eram um problemão”.
O que esperar na prática
Com a tarifa de 15% e a lista de isenções ampliada, o governo federal e setores privados enxergam oportunidade para aumentar vendas de bens industriais aos EUA, recuperar cadeias de suprimentos e atrair investimentos em segmentos como aeronáutica, máquinas e equipamentos.
Especialistas apontam que o efeito real dependerá de como as empresas brasileiras se posicionarão, da competitividade dos produtos e de eventuais ajustes em regras comerciais. A expectativa é de que a medida gere maior previsibilidade para exportadores, especialmente dos setores já citados por Alckmin.