CBP aplica nova tarifa dos EUA de 10% sobre importações não isentas, aumento amplia incerteza para comércio e cadeias, e pode afetar preços no Brasil
A medida anunciada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos entrou em vigor a partir desta terça-feira às 0h, aplicando uma taxa temporária a importações sem isenção.
A regra corresponde à taxa inicialmente anunciada pelo presidente, e vai substituir as tarifas anteriores que variavam de 10% a 50%, suspensas após decisão da Suprema Corte.
Conforme informação divulgada pelo g1, a cobrança vale para produtos não listados como isentos e amplia a incerteza sobre a política comercial americana.
O que muda na prática com a nova tarifa
Em aviso da CBP, as importações estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 10% sobre todos os produtos que não estejam cobertos por isenções, segundo comunicação oficial.
No último sábado (21), Trump havia anunciado que elevaria a tarifa para 15%; Japão, União Europeia e Reino Unido pedem manutenção de acordos. A Casa Branca, citada pelo Financial Times, afirmou que o aumento para 15% pode ocorrer posteriormente por ordem formal, informação que a Reuters não pôde confirmar de imediato.
A decisão chega após a Suprema Corte derrubar as tarifas anteriores, justificadas por motivos de emergência, e substitui um conjunto de taxas que iam de 10% a 50% por uma taxa global temporária.
Por que os EUA dizem ter base legal para agir
A ordem presidencial invocou a chamada Seção 122 da legislação americana, que autoriza o presidente a impor tarifas por até 150 dias com o objetivo de enfrentar déficits considerados grandes e graves na balança de pagamentos.
No texto, o governo argumenta que há um desequilíbrio significativo nas contas externas dos EUA, refletido em um déficit comercial anual de US$ 1,2 trilhão, e em um déficit em conta corrente equivalente a 4% do PIB, além de outros sinais de reversão de superávit de renda primária.
Impacto esperado para o Brasil
Empresas brasileiras que exportam para os EUA podem ter custos logísticos e de competitividade alterados, dependendo de quais produtos forem considerados isentos ou não pela CBP.
Setores sensíveis a tarifas, como agronegócio e manufatura, podem enfrentar pressão sobre preços e margens, e importadores no Brasil podem repassar aumentos ao consumidor final.
Reações internacionais e próximos passos
Japão, União Europeia e Reino Unido solicitaram garantias de que serão tratados de forma tão favorável quanto nos acordos atuais, e pediram manutenção dos compromissos firmados, segundo o comunicado inicial.
O governo americano avisou que países que recuarem de acordos recentemente firmados com os EUA podem enfrentar tarifas ainda maiores, com base em outras leis comerciais, o que mantém aberta a possibilidade de aumento futuro das alíquotas.
Analistas apontam que a combinação de ação executiva, revisão judicial e pressões diplomáticas deixa o cenário ainda sujeito a mudanças, e importadores e exportadores devem acompanhar as publicações da CBP para lista de isenções e novas ordens.