Em 2025, a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 elevou a arrecadação, trouxe mudanças logísticas e reacendeu o debate sobre a chamada taxa das blusinhas
O governo federal registrou uma arrecadação recorde com encomendas internacionais, com forte impacto fiscal e comercial no país.
A medida, conhecida como taxa das blusinhas, alterou padrões de compra e de operação das entregas internacionais no Brasil.
Os dados e as explicações sobre os efeitos da mudança foram divulgados pela Secretaria da Receita Federal, conforme informação divulgada pelo g1
Arrecadação recorde e números principais
Segundo a Receita Federal, o governo arrecadou o valor recorde de R$ 5 bilhões em imposto de importação em 2025 com as encomendas internacionais, contra R$ 2,88 bilhões em 2024.
Os gastos totais com encomendas internacionais subiram para R$ 18,6 bilhões em 2025, ante R$ 15 bilhões no ano anterior, e, ao mesmo tempo, o número de remessas caiu.
Queda nas remessas e explicação do Fisco
As remessas do exterior somaram 165,7 milhões em 2025, ante 189,15 milhões em 2024, informou a Receita.
A autoridade aduaneira atribui a redução, em parte, ao fim do fracionamento de encomendas, citando casos detectados de grande volume por um mesmo remetente, e ao aumento das compras de produtos nacionais pela internet.
Remessa Conforme, registro e combate à evasão
O programa Remessa Conforme, criado em 2023, teve papel central na mudança, com o Fisco afirmando que “Com o PRC [Programa Remessa Conforme] o governo conseguiu elevar drasticamente o registro de declarações de importação e combater a evasão fiscal, ao mesmo tempo em que acelerou o prazo de entrega dos produtos.”
A Receita informou também que “o número de encomendas ‘não PRC’ [fora do programa] no Brasil caiu de 16 milhões em 2024 para 6,5 milhões em 2025”.
Além disso, a pasta destacou que 50 milhões de brasileiros estão “cumprindo suas obrigações tributárias” por meio das empresas habilitadas no Remessa Conforme, e que houve agilidade nas entregas e maior previsibilidade de custos para o consumidor.
Política, mercado e o debate sobre a taxa
Em agosto de 2024, após aprovação do Congresso, o governo passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, medida apelidada de taxa das blusinhas.
O texto foi sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de ele ter classificado a decisão como “irracional”, e a iniciativa foi defendida pela indústria nacional como proteção ao varejo e à produção local.
No Congresso, existe debate sobre projeto que zera o imposto para compras de até US$ 50, enquanto entidades como a Associação Brasileira do Varejo Têxtil destacam recuperação do setor, e estudos como o da LCA Consultoria afirmam que a taxa penalizou consumidores de baixa renda.
A discussão segue entre efeitos fiscais, proteção industrial, custo para consumidores e mudanças na logística de importações, com a Receita destacando resultados em arrecadação e formalização do comércio eletrônico internacional.