TCU anuncia inspeção técnica no Banco Master no BC, relator Jhonatan de Jesus afirma que ‘não há conclusão formada’ sobre a liquidação, apuração mira liquidez e proposta da Fictor

Inspeção no Banco Central será avaliada pelo relator no TCU e votada pelo plenário, foco em sinais de liquidez em 2024 e na oferta da Fictor com apoio de fundo árabe

A área técnica do Tribunal de Contas da União iniciará uma inspeção nas dependências do Banco Central, para apurar o processo que terminou com a liquidação do Banco Master.

O relator sorteado, ministro Jhonatan de Jesus, afirmou que a verificação técnica será conduzida antes de qualquer conclusão, e que o caso será levado ao plenário do TCU.

O conteúdo e as declarações acima foram repassados à imprensa, conforme informação divulgada pelo g1.

Inspeção e papel do relator

O ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso, informou que técnicos da área que fiscaliza bancos no TCU, a AudBancos, devem iniciar a inspeção no Banco Central ainda nesta semana.

Segundo ele, “Não há conclusão formada antes da verificação técnica dos fatos”, frase usada para reforçar que o relatório final depende da checagem documental e técnica.

Jhonatan foi sorteado relator depois que o Ministério Público de Contas enviou, em dezembro de 2025, dois pedidos de diligência sobre o negócio entre o BRB e o Banco Master e sobre as tratativas finais da liquidação.

Reunião entre TCU e Banco Central

O presidente do TCU, Vital do Rêgo, se reuniu com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, junto com Jhonatan e outros integrantes do tribunal.

Após o encontro, Vital afirmou que a inspeção traz “segurança jurídica” e estimou que o processo todo deve durar menos de um mês, segundo as declarações oficiais.

Inicialmente o BC questionou a medida, alegando que a determinação não poderia ser tomada por um só ministro, mas deveria passar pelo colegiado do tribunal, posição que resultou em diálogo entre as partes.

O que está sendo apurado

A apuração terá dois focos centrais: indícios de problemas de liquidez no Banco Master já em 2024, e a decisão de liquidação mesmo com a existência de uma proposta de aquisição pela Fictor, com apoio de um fundo árabe.

A resposta formal do Banco Central ao TCU, que traz o histórico do processo e as justificativas da liquidação, servirá de guia para as averiguações técnicas.

No despacho que mudou o curso inicial do caso, o ministro destacou ainda que, “sob o ângulo regimental, não procede à premissa de que a inspeção dependeria, necessariamente, de autorização exclusiva de órgão colegiado”, trecho citado na documentação do TCU.

Próximos passos e desfecho possível

A inspeção ficará a cargo da AudBancos, e o relatório produzido pela área técnica será analisado pelo gabinete do relator antes de seguir para votação no plenário do TCU.

O caso tem ampla repercussão pública, envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, e promete esclarecer se houve falhas na supervisão, na avaliação de propostas de compra e na decisão final de liquidação.

Enquanto a fiscalização ocorre, o TCU busca conciliar seu poder de controle com a autonomia operacional do Banco Central, preservando a estabilidade institucional e a confiança no sistema financeiro.