TCU dá prazo de 15 dias para Fazenda e bancos públicos detalharem se estudam a federalização do BRB, com Caixa, BB e BNDES na mira diante de problemas patrimoniais
TCU abre prazo para que Ministério da Fazenda, Caixa, Banco do Brasil e BNDES informem se chegaram a cogitar ou analisar a federalização do BRB, em meio a rumores
O Tribunal de Contas da União deu um prazo de 15 dias para que bancos públicos federais e o Ministério da Fazenda expliquem se cogitaram a federalização do BRB.
A medida visa esclarecer rumores de que instituições federais poderiam adquirir o Banco de Brasília, o que retiraria o governo do Distrito Federal da posição de controlador, enquanto o BRB tenta recompor seu patrimônio.
As informações foram requisitadas depois de um pedido do subprocurador-geral Lucas Furtado, e pedem respostas da Caixa, do Banco do Brasil, do BNDES e do Ministério da Fazenda, conforme informação divulgada pelo g1.
O que o TCU solicitou
O ministro Bruno Dantas determinou que as instituições informem se chegaram a cogitar, avaliar ou discutir qualquer operação que levasse à federalização do BRB.
O despacho do TCU reconhece, no entanto, que o pedido de Lucas Furtado não trouxe ao processo ato administrativo da União que comprove a intenção do governo federal de assumir o controle do banco.
Entre os pontos pedidos estão detalhamento de estudos, reuniões ou comunicações internas que indiquem qualquer tratamento à hipótese de aquisição ou incorporação do BRB por bancos federais.
Contexto e motivações para a discussão
O BRB busca recompor e melhorar a qualidade de seu patrimônio, que foi afetado por uma série de transações malsucedidas com o Banco Master.
As irregularidades relacionadas ao Master foram reveladas na operação Compliance Zero da Polícia Federal, em novembro de 2025, e, em paralelo, há bloco judicial e financeiro envolvendo o caso, incluindo o bloqueio de R$ 376,4 milhões em ações do BRB.
Em meio a essas dificuldades, surgiram rumores de que instituições federais poderiam intervir para preservar operações e clientes, alimentando o debate sobre uma possível federalização.
Reações e próximos passos
Até o momento, bancos e o governo não se posicionaram oficialmente sobre a hipótese, mas o secretário do Tesouro e presidente do conselho da Caixa, Rogério Ceron, disse que a Caixa acompanha a situação do BRB como uma eventual “oportunidade de negócio“.
Com o prazo de 15 dias, o TCU pretende obter clareza sobre se houve ao menos cogitação formal da federalização, e assim avaliar eventuais impactos de interesse público e de responsabilidade fiscal.
Se as instituições confirmarem que analisaram a hipótese, o TCU pode aprofundar a investigação e requisitar documentos adicionais para entender a extensão das tratativas e os riscos para os cofres públicos.