quinta-feira, junho 4, 2026

TCU vai recomendar mudanças na documentação e no orçamento de Angra 3, Eletronuclear pode economizar R$ 1,3 bilhão com revisão de índices, preços e tributos

Share

Após parecer técnico, Corte aponta inconsistências no orçamento-base de Angra 3 e pede revisão de BDI, eliminação da tolerância de 5%, ajuste de insumos e alíquotas para reduzir custos

O Tribunal de Contas da União deve recomendar à Eletronuclear mudanças na documentação preparatória e no orçamento de referência das obras de conclusão da Usina Nuclear de Angra 3.

Técnicos da Corte estimam que a correção das inconsistências identificadas pode resultar em uma economia estimada de R$ 1,3 bilhão, se as recomendações forem adotadas.

O relatório da área técnica especializada, a AudElétrica, aponta falhas que persistem no orçamento-base mesmo após revisões da estatal, e destaca entraves institucionais que bloqueiam o avanço do projeto, conforme informação divulgada pelo g1.

O que a AudElétrica identificou

A AudElétrica concluiu que o orçamento-base da licitação ainda apresenta problemas estruturais, com índices e preços que não refletem as condições de mercado.

Entre as recomendações propostas ao Eletronuclear estão a revisão dos índices de BDI, a eliminação do índice de tolerância de 5%, a adequação dos preços de insumos e serviços e a adoção de alíquotas tributárias mais próximas das condições reais de mercado.

Segundo o documento, se implementadas, essas medidas podem gerar um benefício potencial de R$ 1,35 bilhão, valor citado no relatório do ministro relator.

Impacto da indefinição do CNPE

Os técnicos do TCU também destacam que a indefinição do Conselho Nacional de Política Energética sobre o futuro do empreendimento impede a modelagem econômico-financeira.

Para viabilizar a retomada, é necessária a definição da outorga da concessão e do valor da tarifa de energia da usina, elementos fundamentais para que o projeto tenha base financeira estável.

O ministro relator do processo no TCU, Jhonatan de Jesus, afirmou que a “inércia do CNPE” contribui para o aumento dos custos do projeto e para a elevação da tarifa de energia associada à usina.

Situação das obras e custos atuais

As obras de Angra 3 estão paralisadas desde 2015, em meio a entraves políticos e institucionais, situação que agravou o escopo e os custos do projeto.

Em entrevista ao g1, o presidente da Eletronuclear, Alexandre Caporal, afirmou que os gastos com a manutenção de Angra 3 superam R$ 1 bilhão por ano, um peso relevante para a estatal enquanto a usina permanece inativa.

Próximos passos e recomendações práticas

O relatório ministerial propõe que a Eletronuclear adote as correções sugeridas pela AudElétrica e apresente um novo orçamento de referência compatível com práticas de mercado.

Se as recomendações forem implementadas, o TCU entende que poderá haver ganho fiscal e operacional, reduzindo incertezas e deixando o projeto em melhores condições para receber uma decisão do CNPE sobre sua concessão e tarifa.

Leia Mais

Fique por dentro