quinta-feira, junho 4, 2026

Terras raras e minerais críticos, UE negocia com o Brasil acordo para investir em lítio, níquel e terras raras e reduzir dependência global da China

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União Europeia anuncia negociações com o Brasil para projetos conjuntos em lítio, níquel e terras raras, com foco em transição energética, digitalização e segurança geopolítica

A União Europeia informou que está em negociação com o Brasil para estabelecer investimentos conjuntos em minerais como lítio, níquel e terras raras, considerados essenciais para a transição energética e a economia digital.

A declaração foi dada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia de assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

O movimento europeu ocorre em um cenário de disputa global por minerais críticos, e ressalta o papel estratégico do subsolo brasileiro, conforme informação divulgada pelo g1

O que von der Leyen declarou

Em seu discurso, Ursula von der Leyen destacou a importância da cooperação em matérias-primas críticas, afirmando de forma direta: “Isso vai moldar nossa cooperação em projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras. É a chave para a nossa transição digital e limpa, e também para a independência estratégica, num mundo em que os minerais tendem a ser instrumento de coerção”, afirmou.

Na mesma cerimônia, von der Leyen classificou o acordo Mercosul–UE como um arranjo de “ganha-ganha”, e encerrou a fala em português, dizendo, “Todo mundo beneficiado é realmente um ganha-ganho. Esse é o jeito europeu de fazer negócio. E quero dizer, do fundo do meu coração: obrigada, amigo. O melhor está por vir”, disse, antes de se despedir.

Por que o Brasil é alvo de interesse

O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, o que o coloca no centro da corrida por fornecimento de minerais críticos. No entanto, grande parte dessas riquezas ainda é exportada sem processamento, reduzindo o valor agregado capturado internamente.

O interesse externo inclui ofertas de parcerias para instalação de cadeias de valor que vão além da extração, com objetivo de criar capacidade de refino e processamento no país.

Contexto geopolítico e concorrência

O aceno europeu coincide com movimentações de outros países, entre eles os Estados Unidos, que, sob o governo de Donald Trump, também passaram a demonstrar interesse direto nos minerais estratégicos brasileiros.

Com a China dominando o refino e o processamento de terras raras, tanto a UE quanto os EUA buscam diversificar fornecedores, reduzindo dependências e riscos de coerção geopolítica.

O que vem a seguir

As negociações devem avançar para detalhar mecanismos de investimento, transferência tecnológica e acordos para processamento, sem que, até o momento, tenham sido divulgados textos finais ou cronogramas fechados.

Especialistas apontam que acordos desse tipo podem aumentar a captura de valor pelo Brasil, se alinhados a estratégias de industrialização e regras ambientais claras.

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