UE propõe investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras com o Brasil para fortalecer a transição energética, a digitalização e a independência estratégica do bloco
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco está discutindo um acordo com o Brasil para projetos de investimento em minerais críticos, incluindo lítio, níquel e terras raras.
A declaração foi feita durante a cerimônia de assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em evento realizado no Rio de Janeiro, e aponta para uma disputa global por insumos estratégicos.
O movimento europeu ocorre em paralelo ao interesse declarado dos Estados Unidos, em um cenário em que o subsolo brasileiro ganhou destaque internacional, conforme informação divulgada pelo g1
O que foi anunciado por Ursula von der Leyen
Segundo o pronunciamento feito ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a cooperação em matérias-primas críticas será um dos pilares da relação entre os dois lados.
Na cerimônia, von der Leyen disse, textualmente, “Isso vai moldar nossa cooperação em projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras. É a chave para a nossa transição digital e limpa, e também para a independência estratégica, num mundo em que os minerais tendem a ser instrumento de coerção“, afirmou.
Contexto geopolítico e econômico
O aceno europeu ocorre no mesmo momento em que os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, passaram a demonstrar interesse direto nos minerais estratégicos brasileiros, aumentando a competição por acesso a esses recursos.
O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, mas ainda exporta grande parte desses minerais sem processamento, o que reduz o valor agregado capturado pelo país.
Enquanto a China domina o refino e o processamento, EUA e União Europeia buscam diversificar fornecedores para reduzir dependências estratégicas, e o Brasil entrou no centro desse tabuleiro internacional.
Relação com o acordo Mercosul–UE
A declaração foi feita durante a cerimônia que celebrou o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, negociado ao longo dos últimos 25 anos, e von der Leyen classificou o pacto como um arranjo de “ganha-ganha”.
Especialistas ressaltam que o acordo comercial é amplo, envolve diversos itens, e é distinto da negociação sobre terras raras, que mira especificamente a construção de cadeias de valor e investimentos em transformação industrial no Brasil.
Impactos para o Brasil e próximos passos
Para o Brasil, acordos que incentivem o processamento interno de minerais prometem maior geração de emprego e aumento do valor agregado, mas exigem regras claras sobre meio ambiente e tecnologia.
O anúncio europeu sinaliza negociações em aberto, e o país agora passa a conciliar demandas de diferentes potências, além de enfrentar a necessidade de investimentos em infraestrutura de refino e certificações ambientais.
As conversas sobre terras raras e outros minerais estratégicos devem avançar em negociações técnicas e propostas de projetos conjunto, com foco em reduzir vulnerabilidades e ampliar a participação brasileira nas etapas de alto valor da cadeia produtiva.