quinta-feira, junho 4, 2026

The Economist alerta que a ‘Brasilização’ da economia global é risco real, com juros altos, dívida explosiva e pensões pressionando orçamentos do mundo rico

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A preocupação do veículo britânico segue da política de juros à rigidez do gasto público, e a palavra Brasilização descreve o risco de espiral entre juros e dívida

O debate central é simples, e inquietante, para economistas e formuladores de políticas: juros altos podem transformar dívidas manejáveis em fardos quase inadministráveis.

A revista britânica The Economist usa o caso do Brasil como um alerta antecipado para países ricos, e descreve um risco que ganhou o apelido de Brasilização.

Nos parágrafos a seguir, explicamos por que a revista vê o cenário como um teste para orçamentos avançados, quais fatores explicam as taxas brasileiras, e quais escolhas políticas estão em jogo, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o Brasil virou exemplo de alerta

A publicação destaca que o paradoxo do país combina sinais positivos, como crescimento econômico e um banco central independente, com uma dinâmica de endividamento considerada explosiva.

Com a Selic, a taxa básica de juros, em 15% ao ano, a revista afirma que o governo brasileiro, “provavelmente tomará emprestado cerca de 8% do PIB por ano apenas para pagar a conta de juros”, mesmo com as contas primárias próximas do equilíbrio.

A análise lembra que “Sua dívida líquida, em 66% do PIB, é alta para os padrões de mercados emergentes, mas baixa para os do mundo rico”, e que, segundo o FMI, a “dívida pública bruta do Brasil vai atingir 99% do PIB em 2030. Em 2010, correspondia a 62%.” Esses números, segundo a reportagem, ajudam a explicar o uso do termo Brasilização.

Fatores institucionais e estruturais que elevam risco

A Economist aponta uma combinação de fatores institucionais e históricos para explicar por que o país paga taxas superiores às de economias ricas.

Entre eles, a revista cita instituições que seriam “frágeis” e que chegaram a “vacilar” durante a tentativa de golpe de 2022, além de uma inflação com “um pavio mais curto” por causa da memória da hiperinflação.

Outro elemento é a rigidez do gasto público. O texto destaca que o Brasil destina cerca de 10% do PIB ao pagamento de aposentadorias, e alerta que, sem reformas, o país “gastará mais em 2050 com pensões do que países mais ricos e mais envelhecidos”.

A revista lembra ainda que “as pensões são protegidas na Constituição, que, por exemplo, determina que, quando o salário mínimo sobe, os aposentados também recebam mais.” Essa proteção, segundo a matéria, dificulta o ajuste fiscal e desloca gastos considerados mais valiosos.

O dilema político, a escolha e o risco de espiral

Para a publicação, o Brasil enfrenta uma escolha angustiante entre duas alternativas: “entre uma austeridade profunda e uma espiral aterradora de juros e dívida”.

A revista afirma que, embora a austeridade pareça necessária para restaurar credibilidade, ela pode ser politicamente inviável no curto prazo, notando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “afrouxou os cordões da bolsa”, o que reduz as chances de um ajuste severo antes das eleições.

O texto também diz que “os pessimistas estão certos em prever problemas”, ao avaliar que a crise fiscal não se resume à política do governo, mas a um sistema capturado por interesses poderosos, muitos protegidos pela Constituição.

Por que países ricos devem temer a Brasilização

A lição apontada pela revista é que a aflição fiscal do Brasil lança luz sobre fragilidades dos orçamentos do mundo rico, especialmente se juros permanecerem elevados.

A Economist observa sinais iniciais nos Estados Unidos, citando instituições sob pressão e uma inflação mais difícil de controlar após a pandemia, e menciona que o presidente Donald Trump “politizou o Departamento de Justiça”, deseja controlar o Federal Reserve e “cogita federalizar as eleições”, fatores que, segundo a revista, pressionam instituições.

Além disso, a publicação ressalta o impacto comum do envelhecimento, com o “peso crescente de aposentadorias e gastos com saúde” que tende a pressionar orçamentos avançados, tornando mais plausível a propagação da Brasilização se políticas não mudarem.

O que pode ser feito, e as reformas parciais

A Economist reconhece avanços recentes, como um teto para isenções e a proposta de um IVA dual, que, segundo a revista, “pode elevar o PIB em até 4,5% até 2033”, mas adverte que, sem reformas estruturais mais profundas, o país continua preso a um modelo fiscal insustentável.

O texto sugere que as eleições são decisivas, porque parlamentares com coragem para enfrentar interesses arraigados podem evitar que a economia estagne e entre em crise.

Em resumo, a publicação usa o termo Brasilização como um alerta: sem ajustes credíveis e reformas que aumentem a eficiência do gasto e a arrecadação, a combinação de juros altos e rigidez fiscal pode transformar desafios locais em riscos globais.

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