Toxina cereulide em fórmulas infantis da Nestlé, resistente ao calor, provoca vômitos rápidos e leva Anvisa a suspender lotes, saiba quais produtos e riscos
Entenda como a toxina cereulide, produzida por cepas de Bacillus cereus, resiste ao aquecimento e pode causar náuseas intensas, vômitos rápidos e risco maior em bebês
A medida tomada pela agência reguladora interrompeu a venda de lotes de fórmulas usando uma abordagem preventiva, diante do potencial de gravidade da contaminação.
Autoridades e a fabricante afirmam que, até o momento, não há registro de casos confirmados relacionados aos lotes suspensos, mas o risco é considerado relevante especialmente para lactentes.
Veja a seguir o que se sabe sobre a toxina, como ocorre a contaminação, quais produtos foram afetados e o que os pais devem fazer em caso de suspeita.
Conforme informação divulgada pelo g1.
O que é a toxina e por que é preocupante
A substância que levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, a suspender a venda de alguns lotes de fórmulas infantis da Nestlé não é tão conhecida pelo público, mas tem sido amplamente estudada pela ciência, trata-se da cereulide, uma toxina produzida por determinadas cepas da bactéria Bacillus cereus.
De acordo com revisões médicas publicadas no StatPearls/NCBI, essa toxina é termoestável, ou seja, não é destruída pelo aquecimento e resiste às enzimas digestivas, por isso não pode ser eliminada no preparo domiciliar.
Como ocorre a contaminação e quais alimentos são mais comuns
A Bacillus cereus é uma bactéria capaz de formar esporos, estruturas muito resistentes que sobrevivem a calor, variações de pH e processos industriais, incluindo pasteurização.
Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, infecções ocorrem principalmente pela ingestão de alimentos contaminados, como arroz, massas, vegetais, leite e especiarias, e a contaminação é favorecida quando alimentos não são resfriados adequadamente.
Síndromes causadas e sintomas esperados
A Bacillus cereus provoca dois quadros distintos, a síndrome diarreica, associada a uma toxina sensível ao calor, e a síndrome emética, causada pela cereulide, termoestável, responsável por náuseas intensas e vômitos de início rápido.
De acordo com o StatPearls, os sintomas da síndrome emética surgem entre 30 minutos e 6 horas após o consumo do alimento contaminado e incluem náusea intensa, vômitos persistentes e, em alguns casos, diarreia, geralmente com resolução em até 24 horas, mas há relatos raros de falência hepática grave.
Em bebês o risco é maior, porque o organismo ainda está em desenvolvimento e tem menor capacidade de metabolizar toxinas.
Decisão da Anvisa, resposta da Nestlé e orientações para pais
Nestlé informou que identificou a possível presença da toxina em análises de rotina de controle de qualidade, associada a um ingrediente de fornecedor internacional, e comunicou a Anvisa.
Segundo a empresa, está a recolher voluntariamente os lotes afetados e oferecendo devolução gratuita e reembolso aos consumidores, e até a última atualização não houve registro de reações adversas.
Conforme informação divulgada pelo g1, A Nestlé identificou a possível presença da toxina cereulide em lotes de fórmulas infantis e comunicou a Anvisa, e A Anvisa determinou a suspensão preventiva de alguns lotes dos produtos, apesar de não haver casos confirmados de doença até o momento.
Pais e responsáveis devem verificar o número do lote no rótulo das fórmulas listadas pela Anvisa, não oferecer o produto à criança caso esteja entre os lotes recolhidos e entrar em contato com o SAC da Nestlé para devolução e reembolso.
Procure atendimento médico imediato se a criança apresentar vômitos persistentes, diarreia ou sonolência excessiva, e leve a embalagem do produto ao consultório para auxiliar a investigação clínica.
Embora a maioria das contaminações por Bacillus cereus provoque quadros leves, a presença de cereulide em fórmulas infantis é considerada crítica pelo potencial de gravidade e pela impossibilidade de eliminação da toxina no preparo em casa, o que explica a resposta rápida das autoridades sanitárias.