Trabalhador brasileiro valoriza equilíbrio entre vida e trabalho, salário competitivo, coerência ética e capacitação em IA, dados do Workmonitor 2025

O que pesa na escolha do emprego para o trabalhador brasileiro, e por que salário, equilíbrio e aprendizagem em tecnologia se destacam frente a tendências globais

O trabalhador brasileiro busca, de forma clara, mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional, um salário competitivo, coerência ética e flexibilidade, prioridades que influenciam decisões de carreira.

Ao mesmo tempo, há maior procura por capacitação em temas tecnológicos e soft skills, o que exige respostas práticas das empresas para manter e atrair talentos.

Essas conclusões constam do estudo Workmonitor 2025, com recorte brasileiro, conforme informação divulgada pelo g1.

O que os trabalhadores mais valorizam

Entre as prioridades apontadas pelo público brasileiro, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional aparece com força, seguido por remuneração justa e coerência ética da empresa, fatores que compõem a avaliação do trabalhador brasileiro sobre oportunidades de emprego.

O levantamento mostra também que apenas 19% entendem que essa responsabilidade deveria ser da empresa, proporção menor que a média mundial, que é de 27%, o que indica expectativas distintas sobre o papel das organizações.

Interesse por capacitação e temas tecnológicos

O estudo revela que 41% dos profissionais perceberam um aumento nas oportunidades de capacitação oferecidas por seus empregadores nos últimos seis meses, acima dos 34% observados globalmente, sinalizando maior oferta ou percepção de investimento em desenvolvimento no Brasil.

Quando questionados sobre os temas de aprendizagem que mais despertam interesse, os trabalhadores destacaram, na amostra brasileira, os seguintes percentuais, conforme o relatório:

Inteligência artificial: 27% (23% global), Alfabetização tecnológica e TI: 17% (11% global), Gestão e liderança: 8% (7% global), Diversidade e inclusão: 7% (3% global), Bem-estar e mindfulness: 5% (6% global).

Esses números mostram que o trabalhador brasileiro está atento às transformações tecnológicas, com maior interesse em inteligência artificial e alfabetização digital que a média global.

Perfil da amostra e metodologia

A amostra brasileira do Workmonitor 2025 reúne 755 trabalhadores, incluindo diferentes formas de vínculo, como empregados registrados pela Consolidação das Leis do Trabalho, contratos temporários, prestadores de serviço, autônomos, modelos flexíveis e desempregados.

A distribuição por tipo de vínculo detalhada no levantamento é a seguinte, segundo o relatório:

Open-ended contract (emprego fixo / CLT): 539 pessoas (71,4%), Contrato por tempo determinado (6 ou 12 meses): 51 pessoas (6,75%), Contrato temporário / sazonal: 11 pessoas (1,45%), On call / zero hour: 42 pessoas (5,56%), Interim assignment (trabalho por demanda/temporário): 17 pessoas (2,25%), Sole trader / trabalhador por conta própria: 75 pessoas (9,93%), Desempregados no momento da pesquisa: 6 pessoas (0,8%).

O relatório também distribui os entrevistados por tipo de ocupação, confirmando diversidade setorial: White collar: 421 pessoas (56,2%), Grey collar: 143 pessoas (19,1%), Blue collar: 185 pessoas (24,7%). A amostra abrange setores como saúde, hospitalidade, agricultura, bens de consumo e energia.

Implicações para empresas e trabalhadores

Com base nos achados, empregadores que não oferecerem flexibilidade, remuneração competitiva, coerência ética e caminhos claros de capacitação em tecnologia e gestão podem perder competitividade na atração de talentos.

Para o trabalhador brasileiro, a combinação entre benefícios tangíveis e oportunidades de aprendizado em temas como inteligência artificial e alfabetização tecnológica tende a ser decisiva na escolha e permanência no emprego.