Trabalho escravo atinge recorde de denúncias em 2025, 4.515 casos, construção civil e agronegócio lideram resgates, entenda como denunciar e o que os números revelam
Em 2025 foram 4.515 denúncias, aumento de 14% sobre 2024, janeiro registrou 477 chamadas, Disque 100 e Sistema Ipê ganham importância no enfrentamento do trabalho escravo
O Brasil registrou em 2025 o maior número de denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão da história, segundo dados oficiais.
Ao todo, foram 4.515 denúncias feitas ao longo do ano, com aumento marcado em relação ao ano anterior e sinais de persistência do problema.
Os dados recentes mostram recordes sucessivos e apontam para um fenômeno estrutural, conforme informação divulgada pelo g1.
Recorde de denúncias e perfil dos casos
O Brasil registrou em 2025 o maior número de denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão da história, com 4.515 registros, segundo dados inéditos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) atualizados com exclusividade ao g1.
O número representa um aumento de 14% em relação a 2024, quando já havia sido batido um recorde histórico, com 3.959 denúncias, o que reforça a tendência de alta observada nos últimos anos.
Entre os registros de 2025 estão denúncias de trabalho escravo infantil, jornadas exaustivas, condições degradantes de trabalho, servidão por dívida e restrição de liberdade, características que configuram o crime na legislação brasileira.
Quando e onde as denúncias aumentaram
Janeiro de 2025 foi o mês com o maior número de denúncias já registrado desde a criação do Disque 100, em 2011, foram 477 denúncias apenas no primeiro mês do ano.
O crescimento dos registros pode indicar maior conscientização e uso de canais de denúncia, mas também sinaliza que o problema continua enraizado em diferentes setores.
Resgates e setores mais afetados
Os dados de denúncias dialogam com os resgates, que continuam em patamar elevado. Em 2024, 2.186 pessoas foram resgatadas em situações de trabalho análogo à escravidão no Brasil, segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
De acordo com o último levantamento do MTE, cerca de 65,6 mil pessoas já foram resgatadas de condições análogas à escravidão no país desde 1995, resultado de mais de 8,4 mil ações fiscais até dezembro de 2024.
Os setores com maior número de trabalhadores resgatados em 2024 foram construção de edifícios, cultivo de café e cultivo de cebola, entre outros, com dados específicos que apontam para concentração em obras e no agronegócio.
Canais de denúncia e orientação para agir
O governo reforça a importância dos canais de denúncia. O Disque 100 funciona diariamente, 24 horas por dia, e as ligações são gratuitas de qualquer terminal telefônico fixo ou móvel em todo o Brasil.
Além disso, há o Sistema Ipê, canal específico para denúncias de trabalho análogo à escravidão, que permite relatos mesmo de forma anônima, mediante o maior número possível de informações.
Desde que o canal passou a receber registros sobre trabalho escravo, mais de 26 mil denúncias relacionadas a trabalho escravo e condições análogas à escravidão já foram feitas em todo o Brasil, segundo o ministério, o que mostra a relevância dessas rotas de comunicação para identificar e proteger vítimas.
O que os números indicam
Especialistas afirmam que o aumento das denúncias não necessariamente significa só crescimento do crime, mas também maior confiança da população em relatar as violações.
Mesmo assim, a sequência de recordes e os milhares de resgates confirmam que o trabalho escravo continua sendo um desafio estrutural, presente em áreas rurais e urbanas.
Para enfrentar o problema, autoridades recomendam fortalecer a fiscalização, ampliar os canais de proteção e apoiar políticas públicas que garantam condições dignas de trabalho.