quinta-feira, junho 4, 2026

Trabalho escravo em alta no Brasil em 2025, 4.515 denúncias e aumento de 14%, construção civil e agronegócio concentram resgates e mais de 65,6 mil libertos

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Dados inéditos mostram aumento de 14% sobre 2024, janeiro teve 477 denúncias, e canais como Disque 100 e Sistema Ipê são apontados como estratégia para combate ao trabalho escravo

O país registrou em 2025 um volume recorde de denúncias relacionadas a exploração laboral, incluindo trabalho infantil, jornadas exaustivas, servidão por dívida e restrição de liberdade.

As notificações têm sido acompanhadas por ações de fiscalização e resgates, que somam dezenas de milhares de pessoas libertadas desde a década de 1990.

Esses números reforçam a avaliação de especialistas de que o problema é estrutural, e não apenas resultado de variações pontuais na fiscalização, conforme informação divulgada pelo g1.

Recorde de denúncias em 2025

Segundo dados inéditos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) atualizados com exclusividade ao g1, em 2025 foram registradas 4.515 denúncias de trabalho escravo e de condições análogas à escravidão ao longo do ano.

O número representa um aumento de 14% em relação a 2024, quando já havia sido batido um recorde histórico, com 3.959 denúncias.

Janeiro de 2025 foi o mês com o maior número de denúncias já registrado desde a criação do Disque 100, em 2011, Foram 477 denúncias apenas no primeiro mês do ano.

Os dados mostram uma sequência de alta nos últimos anos, Em 2021, foram 1.918 registros, Em 2022, o total subiu para 2.084, Em 2023, chegou a 3.430 denúncias, Em 2024, o volume saltou para 3.959.

Desde que o canal passou a receber registros sobre trabalho escravo, mais de 26 mil denúncias relacionadas a trabalho escravo e condições análogas à escravidão já foram feitas em todo o Brasil, segundo o ministério.

Resgates e perfis das vítimas

Os registros de denúncias dialogam com operações de resgate promovidas pelo poder público, Em 2024, 2.186 pessoas foram resgatadas em situações de trabalho análogo à escravidão no Brasil, segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

De acordo com o último levantamento do MTE, cerca de 65,6 mil pessoas já foram resgatadas de condições análogas à escravidão no país desde 1995. Esse total é resultado de mais de 8,4 mil ações fiscais realizadas em todo o território nacional até dezembro de 2024.

Em 2024, os setores com maior número de trabalhadores resgatados foram variados, destacando-se tanto atividades rurais quanto urbanas, entre elas:

Construção de edifícios, 293 resgatados, Cultivo de café, 214, Cultivo de cebola, 194, Serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita, 120, Horticultura, exceto morango, 84.

Os dados também apontam mudança no perfil, com 30% dos trabalhadores resgatados em 2024 estavam em áreas urbanas, o que indica expansão do problema para além do meio rural tradicional.

Canais de denúncia e proteção

As autoridades destacam a importância dos canais de denúncia para identificar e combater casos, o Disque 100 funciona diariamente, 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. As ligações podem ser feitas de todo o Brasil por meio de discagem direta e gratuita, de qualquer terminal telefônico fixo ou móvel.

Qualquer pessoa pode reportar violações, e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania recebe, analisa e encaminha as denúncias aos órgãos competentes.

O governo também mantém o Sistema Ipê, um canal específico para denúncias de trabalho análogo à escravidão disponível na internet, onde o denunciante não precisa se identificar e pode inserir o maior número possível de informações.

Por que os registros crescem e o que falta

Especialistas apontam que o aumento das denúncias pode refletir maior conscientização da população, ampliação dos canais e mais confiança nos mecanismos de proteção, além de lacunas na fiscalização e nas cadeias de responsabilidade.

Embora o crescimento das notificações seja um sinal de mobilização social, os altos volumes indicam que o trabalho escravo permanece como um desafio estrutural, exigindo mais ação coordenada entre órgãos públicos, cadeias produtivas e sociedade civil.

Medidas apontadas por especialistas incluem reforço da fiscalização, políticas públicas de prevenção, responsabilização de empregadores e programas de apoio às vítimas, para transformar denúncias em proteção efetiva.

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