Mais de 3 mil migrantes morreram tentando chegar à Espanha em 2025, diz ONG
Um cenário desolador se desenha nas rotas migratórias em direção à Espanha. Segundo a organização “Caminando Fronteras”, dedicada à defesa dos direitos dos migrantes, mais de 3 mil pessoas perderam suas vidas em 2025 durante a perigosa jornada para alcançar o território espanhol.
Os dados compilados pela ONG, baseados em chamadas de socorro, relatos de familiares e estatísticas oficiais, apontam a rota atlântica para as Ilhas Canárias como a mais letal. Esta via, conhecida por sua extrema periculosidade, concentrou a maioria das 3.090 mortes registradas até 15 de dezembro.
Apesar da redução no número total de chegadas irregulares à Espanha, que caiu 40,4% em comparação com o ano anterior, a ONG alerta para a abertura de novas rotas migratórias ainda mais distantes e arriscadas, como a que parte da Guiné-Conacri. Conforme informação divulgada pelo G1, o relatório da “Caminando Fronteras” confirma a tendência de aumento de mortes em rotas perigosas, mesmo com a diminuição de desembarques em pontos tradicionais.
A Rota Atlântica e o Alto Custo Humano
A rota para as Ilhas Canárias, apesar de registrar um “retrocesso significativo” no número de chegadas, continua sendo o palco de uma crise humanitária. Quase metade dos migrantes que conseguiram chegar à Espanha em 2025 desembarcaram neste arquipélago, mas a um custo altíssimo em vidas humanas.
A “Caminando Fronteras” detalha que, entre as vítimas fatais registradas, encontram-se **192 mulheres e 437 crianças**, números que chocam e evidenciam a vulnerabilidade dos que buscam uma vida melhor.
Novas Rotas, Novos Perigos
A organização também chama atenção para a emergência de uma **nova rota migratória**, mais distante e perigosa, com partidas originadas em Guiné-Conacri. Essa nova via representa um desafio adicional para as operações de resgate e aumenta a incerteza e o risco para os migrantes.
Além da rota atlântica, a ONG aponta para um **aumento da migração irregular entre a Argélia e as ilhas espanholas de Ibiza e Formentera**, no Mar Mediterrâneo. Essa expansão das rotas demonstra a persistência e a urgência da busca por segurança e melhores condições de vida, mesmo diante de perigos iminentes.
Dados Alarmantes de um Governo Preocupado
Os dados da “Caminando Fronteras” corroboram as estatísticas oficiais do Ministério do Interior espanhol. Entre 1º de janeiro e 15 de dezembro de 2025, a Espanha recebeu **35.935 migrantes irregulares**, o que representa uma queda de 40,4% em relação aos 60.311 registrados no mesmo período do ano anterior.
Apesar da diminuição no fluxo geral, o número de mortes em travessias perigosas, como a rota para as Ilhas Canárias, permanece alarmantemente alto, exigindo atenção e ações coordenadas para garantir a segurança e os direitos humanos dos migrantes em trânsito.