Tragédia no Atlântico: Mais de 3 mil migrantes morrem em rotas perigosas para a Espanha em 2025, alerta ONG
ONG “Caminando Fronteras” revela balanço desolador de mortes em travessias migratórias para a Espanha em 2025, com destaque para a rota atlântica.
Um número alarmante de 3.090 mortes de migrantes foi registrado até 15 de dezembro de 2025, enquanto tentavam alcançar a Espanha, segundo dados divulgados pela organização “Caminando Fronteras”, dedicada à defesa dos direitos dos migrantes.
A maioria dessas trágicas perdas ocorreu na rota atlântica para as Ilhas Canárias, um trajeto reconhecido mundialmente por sua extrema periculosidade e que se consolida como a mais letal para quem busca uma nova vida.
As informações foram compiladas a partir de chamadas de socorro diretas dos próprios migrantes, depoimentos de familiares e estatísticas oficiais de operações de resgate, confirmando uma tendência já apontada por dados recentes do governo espanhol. Conforme informação divulgada pelo G1, o relatório da “Caminando Fronteras” traz um panorama sombrio da migração irregular.
Rota Atlântica Domina Estatísticas de Mortalidade
A perigosa viagem pelas águas do Atlântico em direção às Ilhas Canárias foi o cenário de quase metade das chegadas irregulares à Espanha durante o período analisado. Apesar de uma notável redução no número geral de chegadas ao arquipélago, a ONG aponta para a abertura de uma nova rota migratória, ainda mais distante e perigosa.
Essa nova rota, que tem partidas da Guiné-Conacri, representa um desafio crescente para as autoridades e um risco ainda maior para os migrantes, que enfrentam condições extremas em travessias mais longas e incertas.
Crianças e Mulheres Entre as Vítimas Fatais
O relatório da “Caminando Fronteras” não poupa detalhes sobre a vulnerabilidade dos que arriscam suas vidas. Entre as 3.090 vítimas fatais registradas em 2025, a organização contabiliza a triste marca de 192 mulheres e 437 crianças, evidenciando o impacto devastador dessas travessias em famílias inteiras.
A ONG também chamou a atenção para um aumento preocupante na migração irregular entre a Argélia e as ilhas espanholas de Ibiza e Formentera, no Mar Mediterrâneo. Essa nova dinâmica aponta para a diversificação das rotas e a persistência dos fluxos migratórios, apesar dos riscos.
Queda Geral nas Chegadas, Mas Rotas Mais Perigosas Persistem
Os dados oficiais do Ministério do Interior da Espanha indicam que, entre 1º de janeiro e 15 de dezembro de 2025, o país recebeu 35.935 migrantes irregulares. Este número representa uma queda de 40,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram registradas 60.311 chegadas.
Embora a redução nas chegadas possa ser vista como um indicativo de certas políticas, a “Caminando Fronteras” reitera que a diminuição no volume não se traduziu em maior segurança. Pelo contrário, as rotas que persistem são, em muitos casos, mais perigosas, exigindo atenção contínua e ações humanitárias eficazes.