quinta-feira, junho 4, 2026

Trump ameaça Canadá com tarifas de 100% se fechar acordo com a China, após Carney negociar entrada de 49 mil carros elétricos e redução de tarifas de canola

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O presidente dos EUA avisa que aplicará tarifa de 100% às importações canadenses se Ottawa formalizar pacto com Pequim, em resposta a acordos sobre elétricos e canola

O presidente Donald Trump ameaçou impor uma tarifa de 100% sobre bens canadenses que entrarem nos Estados Unidos caso o Canadá feche um acordo comercial com a China.

A declaração do líder americano ocorre depois da visita do primeiro-ministro canadense Mark Carney a Pequim, quando foram anunciadas medidas para reduzir tarifas chinesas sobre a canola e ampliar a entrada de veículos elétricos chineses no mercado canadense.

As informações e as declarações foram relatadas pela imprensa, conforme informação divulgada pelo g1

O recado de Trump e as citações diretas

Em postagem na plataforma Truth Social, Trump escreveu que, se Carney “pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias e produtos para os Estados Unidos, está muito enganado”.

O presidente acrescentou, também em sua rede, que “Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”.

As declarações deixam explícita a intenção de usar tarifas como instrumento de pressão caso Ottawa formalize uma parceria econômica mais ampla com Pequim.

O que prevê o novo alinhamento entre Canadá e China

Segundo os anúncios feitos durante a visita de Carney, o Canadá permitirá a entrada inicial de até 49 mil veículos elétricos chineses com tarifa de 6,1%, em termos de nação mais favorecida, em contraste com a alíquota anterior de 100% aplicada pelo governo de Justin Trudeau em 2024.

Carney afirmou que “Esse é um retorno aos níveis anteriores aos recentes atritos comerciais, mas sob um acordo que promete muito mais para os canadenses”.

O plano prevê que a cota aumente gradualmente, chegando a cerca de 70.000 veículos em cinco anos, e foi justificado como forma de permitir que o Canadá “aprenda com parceiros inovadores, acesse suas cadeias de suprimentos e aumente a demanda local”.

Impactos sobre a canola e outras exportações

Como contrapartida, o Canadá espera que a China reduza tarifas sobre sementes de canola, de uma taxa combinada atual de aproximadamente 84% para cerca de 15%, até 1º de março.

Também há expectativa de remoção de tarifas antidiscriminatórias sobre farinhas de canola, lagostas, caranguejos e ervilhas a partir de 1º de março até pelo menos o final do ano, medidas que, segundo Carney, devem destravar cerca de US$ 3 bilhões em pedidos de exportação para agricultores, pescadores e processadores canadenses.

Em retaliação às tarifas anteriores do governo de Trudeau, a China havia imposto alíquotas sobre mais de US$ 2,6 bilhões em produtos agrícolas e alimentícios canadenses, o que levou, em 2025, a uma queda de 10,4% nas importações de produtos canadenses pela China.

Reações internas no Canadá e riscos para a indústria

O acordo dividiu opiniões dentro do Canadá. O primeiro-ministro da província de Ontário, Doug Ford, criticou a medida, escrevendo que “O governo federal está convidando uma enxurrada de veículos elétricos baratos fabricados na China sem nenhuma garantia real de investimentos iguais ou imediatos na economia, no setor automotivo ou na cadeia de suprimentos do Canadá”.

O ajuste nas tarifas diverge da posição dos Estados Unidos, e parte do gabinete de Trump já havia criticado a decisão antes de uma revisão prevista do acordo comercial entre EUA, Canadá e México.

Apesar disso, na semana anterior Trump havia declarado apoio à iniciativa de Carney, dizendo que “É isso que ele deveria estar fazendo. É bom que ele assine um acordo comercial. Se você conseguir um acordo com a China, deve fazer isso”, o que mostra a oscilação nas mensagens oficiais entre aliados.

O cenário comercial norte-americano e regional

Analistas alertam que a promessa de tarifas de 100% aumenta a incerteza para exportadores e para cadeias de suprimentos integradas na América do Norte.

Em 2023, a China exportou 41.678 veículos elétricos para o Canadá, segundo dados citados nas negociações, o que evidencia a relevância do setor para o comércio bilateral e a sensibilidade política em torno de medidas protecionistas.

Se aplicada, uma tarifa de 100% sobre produtos canadenses que ingressem nos Estados Unidos teria impacto imediato e severo sobre setores exportadores, e poderá provocar retaliações ou novas rodadas de negociação entre os três países da região.

O desfecho dependerá dos próximos passos de Ottawa e de como Washington transformará a ameaça em ação, enquanto produtores e políticos avaliam ganhos e riscos para a economia canadense em um ambiente geopolítico cada vez mais tenso.

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