Trump ameaça Canadá com tarifas de 100% se fechar acordo comercial com a China, risco à canola, entrada de carros elétricos e impacto nas cadeias de suprimentos
Donald Trump promete tarifa de 100% sobre importações canadenses nos EUA caso Ottawa feche acordo com Pequim, elevando tensão sobre canola, veículos elétricos e comércio bilateral
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que pode aplicar “tarifas de 100%” sobre bens canadenses se o Canadá concluir um acordo comercial com a China.
A declaração veio após a recente visita do primeiro-ministro canadense a Pequim, onde Ottawa e Pequim anunciaram uma nova parceria estratégica que inclui redução de tarifas e abertura ao mercado de veículos elétricos chineses.
As informações sobre a ameaça e os termos do novo acordo foram divulgadas em reportagens sobre o tema, conforme informação divulgada pelo g1.
A ameaça de tarifas e as palavras de Trump
Em postagem na plataforma Truth Social, Trump escreveu, citando diretamente a reação ao movimento canadense, “Se Carney ‘pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias para os EUA, está muito enganado'”.
O presidente também alertou, em linguagem literal da mensagem, “Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”.
O tom da mensagem aumentou a incerteza sobre a revisão do acordo comercial entre EUA, Canadá e México, e reacende debates sobre alinhamento de políticas comerciais entre Ottawa e Washington.
O que foi acordado entre Canadá e China
Segundo as informações divulgadas, o Canadá anunciou que permitirá a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses, aplicando uma tarifa de 6,1%, valor muito abaixo da alíquota anterior de 100% imposta no governo anterior.
Foi a primeira viagem de um líder canadense à China em oito anos, e o primeiro-ministro afirmou que a cota deve aumentar gradualmente, chegando a cerca de 70.000 veículos em cinco anos.
O governo canadense também busca a redução de tarifas chinesas sobre produtos agrícolas, esperando que a taxa combinada sobre sementes de canola caia de 84% para cerca de 15% até 1º de março, conforme as tratativas relatadas.
Impactos econômicos e disputas comerciais
O relaxamento das tarifas para veículos elétricos diverge da política dos EUA e já provocou críticas internas, incluindo do primeiro-ministro de Ontário, que alertou sobre a entrada de “uma enxurrada de veículos elétricos baratos” sem garantias de investimentos locais.
Em retaliação às tarifas anteriores do Canadá, a China impôs medidas sobre mais de US$ 2,6 bilhões em produtos agrícolas e alimentícios canadenses, afetando canola, óleo e farinha, o que reduziu em 2025 as importações chinesas desses produtos vindos do Canadá.
Dados citados indicam que em 2023 a China exportou 41.678 veículos elétricos para o Canadá, mostrando o peso do setor nas negociações e nas cadeias de suprimento regionais.
O que está em jogo para produtores e consumidores
O governo canadense estima que os acordos com a China possam destravar cerca de US$ 3 bilhões em pedidos de exportação para agricultores, pescadores e processadores, com remoção de tarifas antidiscriminatórias em produtos como farinhas de canola, lagostas, caranguejos e ervilhas.
Para setores sensíveis, a mudança implica oportunidade de retorno a níveis comerciais anteriores aos atritos, ao mesmo tempo em que gera medo de concorrência ampliada para indústrias locais, incluindo a automotiva.
Com a escalada entre aliados, resta acompanhar se Washington manterá a postura anunciada por Trump, e como Ottawa equilibrará a reconstrução de laços com a China e a relação tradicional com os Estados Unidos.