Presidente Trump afirma que, se o Canadá fechar acordo com a China, estará sujeito a uma tarifa de 100% sobre bens canadenses, aumentando tensão sobre tarifas Canadá China
O presidente dos Estados Unidos voltou a ameaçar medidas duras contra o Canadá, após o anúncio de uma nova parceria estratégica entre Ottawa e Pequim. A declaração reacende um atrito comercial que envolve canola, veículos elétricos e tarifas.
Trump anunciou em sua plataforma, e voltou a enfatizar a mensagem publicamente, que imporia tarifas de 100% sobre produtos canadenses caso um acordo com a China seja finalizado. A ameaça provoca incerteza para produtores e para a indústria automotiva, com impactos diretos nas exportações.
A aproximação entre Canadá e China inclui redução de barreiras para canola e uma cota de importação de veículos elétricos chineses, medidas vistas por Washington com desconfiança, e que, segundo especialistas, podem alterar fluxos comerciais na América do Norte.
conforme informação divulgada pelo g1
O que disse Trump e a fala sobre o “porto de descarga”
Em postagem na plataforma Truth Social, Trump escreveu que, se Mark Carney “pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias para os EUA, está muito enganado”. Em seguida, o presidente alertou, “Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”.
A frase gera preocupação porque formaliza a ameaça de tarifas de 100%, o que representaria um choque para o comércio entre os países, especialmente em setores agrícolas e industriais já sensíveis.
Detalhes do acordo China-Canadá e medidas anunciadas
Segundo declarações do governo canadense reportadas pelo g1, o Canadá anunciou que permitirá inicialmente a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses com uma tarifa de 6,1%, sob a condição de nação-mais-favorecida. Isso contrasta com a alíquota anterior de 100% aplicada em 2024 por Justin Trudeau.
O texto divulgado também indica que o Canadá espera que a China reduza as tarifas sobre sementes de canola até 1º de março, para uma taxa combinada de cerca de 15%, ante os atuais 84%. Além disso, Ottawa espera a remoção de medidas antidiscriminatórias sobre farinhas de canola, lagostas, caranguejos e ervilhas a partir de 1º de março até pelo menos o final do ano.
Impactos econômicos e dados citados
Na retaliação anterior, em março, a China impôs tarifas sobre mais de US$ 2,6 bilhões em produtos agrícolas e alimentícios canadenses, incluindo óleo e farinha de canola. Essas medidas levaram a uma queda de 10,4% nas importações de produtos canadenses pela China em 2025.
O governo canadense estima que os novos acordos possam destravar cerca de US$ 3 bilhões em pedidos de exportação para agricultores, pescadores e processadores canadenses. Em 2023, a China exportou 41.678 veículos elétricos para o Canadá, número citado pelas autoridades ao apresentar a cota inicial de importação.
Reações internas no Canadá e próximos passos
Nem todas as vozes no Canadá apoiam o acordo. Doug Ford, primeiro-ministro de Ontário, criticou a decisão, afirmando que o governo federal está “convidando uma enxurrada de veículos elétricos baratos fabricados na China sem nenhuma garantia real de investimentos iguais ou imediatos na economia, no setor automotivo ou na cadeia de suprimentos do Canadá”.
Por ora, a tensão permanece, com Washington monitorando a negociação e com a ameaça explícita de Trump de adotar tarifas de 100% caso o acordo com a China avance. A data de 1º de março surge como marco para mudanças nas tarifas de canola, enquanto a cota de veículos deve aumentar gradualmente, segundo autoridades canadenses.