Trump ameaça tarifas de 100% ao Canadá se fechar acordo com a China, pressiona sobre canola e carros elétricos e eleva tensão comercial
Pressão de Trump sobre o Canadá, tarifas e retaliações após pacto com a China, com cota de 49 mil carros elétricos, redução de tarifas sobre canola e risco de sobretaxa aos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta sábado impor tarifas de 100% sobre produtos canadenses caso o Canadá feche um acordo comercial com a China.
A ameaça surge após a visita do primeiro-ministro canadense Mark Carney a Pequim, e a divulgação de uma nova parceria estratégica entre China e Canadá, que prevê redução de tarifas e maior fluxo de veículos elétricos chineses ao mercado canadense.
As informações acima foram tratadas e publicadas em matéria do g1, conforme informação divulgada pelo g1.
A ameaça direta de Trump e o teor das mensagens
Em postagem na plataforma Truth Social, Trump afirmou que, se Carney “pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias para os EUA, está muito enganado”, e avisou que “Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”.
A declaração de Trump escalou a tensão entre Ottawa e Washington, ao vincular a política comercial canadense a uma possível retaliação direta sobre importações destinadas ao mercado norte-americano.
O que prevê o novo acordo entre Canadá e China
Segundo o governo canadense, a parceria inclui a permissão inicial para até 49 mil veículos elétricos chineses entrarem no mercado do Canadá com tarifa de 6,1%, em vez da alíquota anterior de 100% aplicada pelo ex-primeiro-ministro Justin Trudeau em 2024.
O primeiro-ministro Mark Carney disse que a cota será ampliada gradualmente, chegando a cerca de 70.000 veículos em cinco anos, e afirmou, textualmente, “Esse é um retorno aos níveis anteriores aos recentes atritos comerciais, mas sob um acordo que promete muito mais para os canadenses”.
Além dos carros elétricos, o acordo busca reduzir barreiras sobre produtos agrícolas, em particular a canola. O governo canadense espera que a China reduza tarifas sobre sementes de canola até 1º de março, “para uma taxa combinada de cerca de 15% dos atuais 84%”, conforme comunicado das negociações.
Impactos econômicos e reações internas
O acordo tende a destravar cerca de US$ 3 bilhões em pedidos de exportação para agricultores, pescadores e processadores canadenses, segundo estimativa do próprio Canadá.
No passado recente, a China impôs tarifas sobre mais de US$ 2,6 bilhões em produtos agrícolas e alimentícios do Canadá, incluindo óleo e farinha de canola, e manteve medidas antidumping e antidiscriminatórias que reduziram as exportações canadenses para a China em 10,4% em 2025.
No plano doméstico, houve críticas, como a do primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, que afirmou que o governo federal “está convidando uma enxurrada de veículos elétricos baratos fabricados na China sem nenhuma garantia real de investimentos iguais ou imediatos na economia, no setor automotivo ou na cadeia de suprimentos do Canadá”.
Conflito com a agenda comercial dos EUA e próximos passos
A decisão de Ottawa cria divergências com a política dos EUA, que adotou medidas restritivas contra veículos elétricos chineses. Antes da ameaça pública, membros do gabinete de Trump já haviam criticado o relaxamento canadense.
As medidas anunciadas por Carney, sobretudo a tarifa de 6,1% sobre a cota inicial de veículos, e a perspectiva de redução das tarifas chinesas sobre canola, serão acompanhadas de perto por Washington, que pode usar a revisão do acordo comercial entre EUA, Canadá e México como palco para pressionar Ottawa.
Em resumo, a tensão comercial entre os três países se intensifica, com o Canadá buscando reconstruir laços com a China para abrir mercados e o governo dos EUA respondendo com ameaças diretas de tarifação, enquanto produtores e autoridades regionais avaliam ganhos e riscos da reaproximação sino-canadense.