Trump aumenta para 25% tarifas sobre produtos importados da Coreia do Sul, atingindo automóveis, madeira e farmacêuticos, e cita atraso no acordo de US$350 bilhões
Medida eleva de 15% para 25% tarifas sobre importações sul-coreanas, cita falha do Legislativo em aprovar acordo e pressiona implementação do investimento de US$350 bilhões
O presidente dos Estados Unidos anunciou a elevação das tarifas sobre produtos importados da Coreia do Sul para 25%, em uma decisão que atinge setores como automóveis, madeira e farmacêuticos.
A ação foi divulgada pelas redes sociais do presidente, que justificou a medida citando a não aprovação do acordo comercial por parte do Legislativo sul-coreano, e marcou nova escalada nas disputas comerciais entre aliados.
Esta reportagem traz os principais pontos da decisão, suas justificativas oficiais, e os potenciais efeitos sobre comércio e investimentos entre EUA e Coreia do Sul, conforme informação divulgada pelo g1.
O anúncio e o teor da medida
O presidente afirmou, em sua publicação, que “Como o Legislativo coreano não aprovou nosso histórico acordo comercial, o que é prerrogativa deles, estou, por meio deste, aumentando as tarifas sul-coreanas sobre automóveis, madeira, produtos farmacêuticos e todas as demais tarifas recíprocas de 15% para 25%”.
Com a mudança, o governo americano revisou para cima a alíquota que havia sido fixada em acordo anterior, elevando de 15% para 25% a maior parte das tarifas recíprocas aplicadas a produtos sul-coreanos.
A Casa Azul, sede da Presidência da Coreia do Sul, não havia se manifestado até a última atualização da reportagem, acrescentando incerteza à resposta oficial de Seul.
Contexto do acordo e compromissos financeiros
No acordo firmado anteriormente entre os dois países, foi estabelecido que as tarifas sobre automóveis e autopeças sul-coreanas seriam fixadas em 15%, ante 25% anteriormente, alinhando a política tarifária às práticas adotadas por concorrentes como o Japão.
Parte do entendimento incluía um compromisso de investimento sul-coreano nos EUA estimado em US$350 bilhões. Segundo o acordo, Seul pagaria US$200 bilhões em dinheiro, em parcelas escalonadas limitadas a US$20 bilhões por ano, com o objetivo de preservar a estabilidade do won.
Autoridades sul-coreanas têm apontado obstáculos na implementação, e o ministro das Finanças do país disse recentemente que o investimento planejado dificilmente começará no primeiro semestre de 2026, citando a fraqueza do won e o risco de grandes saídas de capital.
Reações de analistas e possíveis impactos
Josh Lipsky, diretor de economia internacional do Atlantic Council, comentou que a ação do presidente reflete impaciência com o ritmo de implementação, e avaliou que a decisão é um lembrete de que os mercados estavam errados ao acreditar que haveria estabilidade tarifária em 2026, citando custos associados à volatilidade.
Economistas alertam que o uso de tarifas como instrumento de pressão externa pode aumentar a incerteza para empresas e investidores, e está sendo testado também em um processo em andamento na Suprema Corte dos EUA.
Para o comércio bilateral, a elevação das tarifas pode elevar preços de importação, provocar retaliações setoriais e afetar cadeias produtivas que já enfrentam volatilidade cambial e incertezas sobre investimentos futuros.
Próximos passos e o que observar
Fica em aberto a forma como Seul responderá diplomática e comercialmente, e se haverá negociações para retomar o cronograma de investimentos e a vigência do acordo em bases acordadas anteriormente.
Mercados, autoridades e empresas acompanharão sinais sobre a possível reação da Coreia do Sul, decisões judiciais nos EUA em torno de medidas tarifárias e a evolução do câmbio, especialmente a trajetória do won, que tem recuado a níveis não vistos desde a crise financeira global de 2007 a 2009.
A medida representa mais uma etapa da política externa tarifária adotada pelo governo americano no segundo mandato, e pode redefinir expectativas de estabilidade entre parceiros comerciais, tanto no curto quanto no médio prazo.