quinta-feira, junho 4, 2026

Trump avalia reduzir tarifas sobre produtos de aço e alumínio para conter alta de preços, aliviar consumidores e mitigar impacto nas exportações, diz Financial Times

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Governo deve revisar listas e liberar isenções para alguns itens, focando em latas, formas e peças que mais pressionam o bolso do consumidor

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou uma revisão das cobranças sobre importações, com a intenção de reduzir o impacto das tarifas sobre produtos de aço e alumínio na economia doméstica.

Autoridades do Departamento de Comércio e do escritório do representante comercial dos EUA afirmam que as taxas estão elevando preços de itens do dia a dia, como latas de alimentos e formas para tortas, e avaliam isentar produtos específicos.

Conforme informação divulgada pelo g1, a movimentação ocorre em um momento em que o custo de vida é tema central nas preocupações dos eleitores, e pesquisas e análises têm influenciado a avaliação das medidas econômicas.

O que está em revisão

Segundo reportagem do jornal britânico Financial Times, a Casa Branca passou a revisar listas de produtos atingidos pelas tarifas e planeja isentar alguns itens, interromper a ampliação das listas e, em vez disso, lançar investigações de segurança nacional mais direcionadas a produtos específicos.

As tarifas foram elevadas no ano passado, chegando a 50% sobre algumas importações de aço e alumínio, e o Departamento de Comércio ampliou as cobranças para mais de 400 produtos, incluindo turbinas eólicas, guindastes móveis, eletrodomésticos, escavadeiras, vagões ferroviários, motocicletas e móveis.

Impacto sobre consumidores e política interna

Autoridades consultadas pelo Financial Times apontam que as taxas estão prejudicando consumidores ao aumentar preços de embalagens e utensílios, pressionando o orçamento familiar.

Uma pesquisa recente da Reuters em parceria com o Ipsos mostrou que 30% dos norte-americanos aprovaram a maneira como Trump lidou com o aumento do custo de vida, enquanto 59% desaprovaram, incluindo nove em cada dez democratas e um em cada cinco republicanos, o que reforça a sensibilidade eleitoral sobre o tema.

Analistas veem a possível redução de tarifas como uma tentativa de aliviar a pressão sobre os preços ao consumidor antes das eleições legislativas de meio de mandato em novembro, e como um movimento para demonstrar resposta às preocupações com o custo de vida.

Consequências para o Brasil

As medidas adotadas pelos EUA afetaram exportações brasileiras, e o aumento das tarifas entrou em vigor em junho do ano passado, quando muitas cobranças subiram de 25% para 50%.

Na ocasião, o Departamento de Comércio dos EUA enquadróu exportações que contêm aço e alumínio na Seção 232 do Ato de Expansão Comercial, o que levou o governo brasileiro a tomar medidas para igualar competitividade em alguns itens.

Como declarou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, na época, “Fizemos a conta e dá US$ 2,6 bilhões de inserção de aço e alumínio nas exportações brasileiras, de US$ 40 bilhões de dólares, ou seja, 6,4% das exportações saem dos 50% e vão para a sessão do 232, o que torna igual nossa competitividade com o resto do mundo. Isso vai dar uma melhor na competitividade industrial”.

A alteração anunciada pelos EUA pode reduzir barreiras para determinados produtos brasileiros, mas grande parte das exportações continua sujeita às tarifas mais altas, afetando volumes e cadeias produtivas de diferentes setores.

Próximos passos e incertezas

A Casa Branca e o Departamento de Comércio não se pronunciaram imediatamente sobre detalhes ou prazos das mudanças, segundo a reportagem citada pelo g1.

Fontes consultadas indicam que, além de isenções pontuais, a administração pretende evitar ampliar as listas de produtos taxados e priorizar investigações mais específicas, o que pode levar semanas ou meses para ser implementado.

Especialistas dizem que a movimentação política e econômica seguirá sob atenção, já que as decisões impactam preços ao consumidor, acordos comerciais e a competitividade de exportadores, incluindo empresas brasileiras que dependem do mercado americano.

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