Trump avalia reduzir tarifas sobre produtos de aço e alumínio para tentar baixar preços ao consumidor e amenizar impacto eleitoral, diz Financial Times
Plano prevê reverter ou isentar parte das taxas impostas em 2025 sobre produtos de aço e alumínio, para aliviar aumento de preços em latas, formas para tortas e outros itens essenciais
O governo do presidente Donald Trump estuda reduzir algumas tarifas sobre produtos de aço e alumínio que têm elevado o custo de itens cotidianos, segundo reportagens recentes.
A intenção é aliviar o impacto no bolso dos consumidores e responder a preocupações sobre o aumento do custo de vida em ano eleitoral, segundo fontes ouvidas pela imprensa.
Essas informações constam em reportagem do Financial Times, com resumo e contextualização publicados no g1, conforme informação divulgada pelo g1.
O que está em revisão e por que
Segundo o Financial Times, autoridades do Departamento de Comércio e do escritório do representante comercial dos EUA começaram a revisar a lista de produtos afetados pelas medidas.
O plano inclui isentar alguns itens, interromper a expansão das listas e, em vez disso, lançar investigações de segurança nacional mais direcionadas a produtos específicos, para reduzir efeitos colaterais sobre consumidores.
As tarifas sobre produtos de aço e alumínio foram impostas em 2025 e chegaram a, ou foram aumentadas para, 50% em muitos casos, cobrindo centenas de itens.
Consequências para preços e política interna
As tarifas têm sido apontadas como uma das causas da alta em embalagens e utensílios, como latas de alimentos e formas para tortas, o que pressiona preços no varejo.
Uma pesquisa recente da Reuters em parceria com o Ipsos mostrou que 30% dos norte-americanos aprovaram a maneira como Trump lidou com o aumento do custo de vida, enquanto 59% desaprovaram, incluindo nove em cada dez democratas e um em cada cinco republicanos.
Com eleitores preocupados com a inflação, a Casa Branca busca demonstrar ação para reduzir encargos que afetam o consumo, enquanto tenta manter ferramentas de pressão comercial em negociações internacionais.
Impacto sobre a indústria e o comércio exterior
No ano passado, o Departamento de Comércio dos EUA aumentou as tarifas sobre o aço e o alumínio em mais de 400 produtos, incluindo turbinas eólicas, guindastes móveis, eletrodomésticos, escavadeiras, vagões ferroviários, motocicletas, motores marítimos e móveis.
Para o Brasil, o aumento das tarifas entrou em vigor em junho, quando as cobranças passaram de 25% para 50%, o que reduziu exportações e mudou a dinâmica competitiva de manufaturados.
Na Câmara dos Deputados, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, explicou medidas para o comércio exterior e comentou efeitos práticos no Brasil, dizendo, “Fizemos a conta e dá US$ 2,6 bilhões de inserção de aço e alumínio nas exportações brasileiras, de US$ 40 bilhões de dólares, ou seja, 6,4% das exportações saem dos 50% e vão para a sessão do 232, o que torna igual nossa competitividade com o resto do mundo. Isso vai dar uma melhor na competitividade industrial”.
O que vem pela frente
Se confirmada a estratégia de isenções e revisões, empresas e consumidores podem ver alívio em setores específicos, mas especialistas alertam que mudanças parciais podem não resolver totalmente o aumento de preços.
A Casa Branca e o Departamento de Comércio não se pronunciaram oficialmente no momento da reportagem, e a proposta segue sujeita a revisões e consultas técnicas antes de qualquer decisão final.