Trump avalia reverter tarifas sobre aço e alumínio para reduzir pressões nos preços ao consumidor e mexer no comércio global, impacto alcança o Brasil
Fontes dizem que governo federal estuda isentar itens das tarifas sobre aço e alumínio, interromper expansão de listas tarifárias e adotar investigações mais direcionadas para reduzir o impacto nos preços
O governo dos Estados Unidos vem avaliando ajustes nas tarifas sobre aço e alumínio em resposta a sinais de que as medidas estão pressionando os preços ao consumidor.
Autoridades do Departamento de Comércio e do escritório do representante comercial acreditam que reduzir ou isentar algumas taxas pode aliviar custos de produtos cotidianos, como formas para tortas e latas de alimentos.
As informações foram divulgadas com base em reportagens internacionais e apurações recentes, conforme informação divulgada pelo g1
O que está sendo discutido
Segundo reportagem do Financial Times, a Casa Branca começou a revisar listas de produtos atingidos pelas tarifas sobre aço e alumínio.
A ideia em discussão inclui isentar itens específicos, parar de ampliar as listas de produtos taxados e, em vez disso, lançar investigações de segurança nacional mais direcionadas a mercadorias pontuais.
Em 2025, o governo elevou algumas tarifas para até 50%, e o Departamento de Comércio chegou a aplicar taxas adicionais em mais de 400 produtos, que vão de turbinas eólicas e guindastes a eletrodomésticos e vagões ferroviários.
Impacto no bolso do consumidor e no cenário eleitoral
As tarifas têm sido apontadas por autoridades internas como fator de aumento de preços de itens embalados e outros bens de consumo, e a redução visa justamente aliviar essa pressão.
Uma pesquisa recente da Reuters em parceria com o Ipsos mostrou que 30% dos norte-americanos aprovaram a maneira como Trump lidou com o aumento do custo de vida, enquanto 59% desaprovaram, incluindo nove em cada dez democratas e um em cada cinco republicanos.
O presidente tem usado pontos da política econômica em eventos públicos, tentando mostrar resultados para eleitores preocupados com o custo de vida antes das eleições legislativas de novembro.
Consequências para o Brasil e o comércio exterior
As medidas de 2025 tiveram efeito direto nas exportações brasileiras, porque muitos produtos que contêm aço e alumínio passaram a ser enquadrados em regras que alteraram tarifas aplicadas aos nossos embarques.
Na avaliação do governo brasileiro, houve impacto na competitividade, mas em alguns casos a reclassificação trouxe uma vantagem parcial. Na época, o então vice-presidente e ministro, Geraldo Alckmin, afirmou, “Fizemos a conta e dá US$ 2,6 bilhões de inserção de aço e alumínio nas exportações brasileiras, de US$ 40 bilhões de dólares, ou seja, 6,4% das exportações saem dos 50% e vão para a sessão do 232, o que torna igual nossa competitividade com o resto do mundo. Isso vai dar uma melhor na competitividade industrial”.
Apesar disso, grande parte das exportações brasileiras permanece afetada pelas taxas de 50%, e empresas que exportam enfrentaram queda na demanda dos EUA, enquanto companhias voltadas ao mercado interno lidam com maior oferta e pressão sobre preços locais.
O que vem a seguir
Não houve resposta imediata da Casa Branca ou do Departamento de Comércio a pedidos de comentário fora do horário comercial.
Se a administração optar por isenções ou por investigações mais direcionadas, a mudança pode reduzir custos para consumidores e alterar fluxos comerciais, com efeitos que serão acompanhados por indústrias e governos, inclusive no Brasil.
Especialistas, empresários e autoridades aguardam detalhes sobre quais itens seriam excluídos das listas e como as novas investigações serão conduzidas.