Trump considera reverter tarifas sobre aço e alumínio para aliviar preços ao consumidor e mitigar impacto nas exportações, incluindo itens que chegaram a 50% de taxa
Administradores do comércio avaliam isentar itens, frear expansão de listas e focar em investigações de segurança nacional, diante de aumento de preços para famílias americanas
O governo dos Estados Unidos estuda reduzir parte das tarifas sobre aço e alumínio que elevaram preços de produtos do dia a dia, segundo relatórios recentes.
A mudança busca aliviar o impacto no bolso dos consumidores e responder a preocupações econômicas que influenciam o clima político antes das eleições de meio de mandato.
As informações sobre a revisão da política foram divulgadas à imprensa, conforme informação divulgada pelo g1
O que o relatório do Financial Times apontou
Segundo reportagem do Financial Times, autoridades do Departamento de Comércio e do escritório do representante comercial dos EUA entendem que as taxas estão pressionando os preços de itens como formas para tortas e latas de alimentos e bebidas.
O jornal afirmou que a Casa Branca avalia isentar alguns produtos, interromper a expansão das listas de cobrança e, em vez disso, abrir investigações de segurança nacional mais direcionadas a produtos específicos.
Fontes ouvidas pela publicação disseram que a revisão pretende reduzir danos aos consumidores, sem abandonar totalmente o uso das tarifas como instrumento de negociação.
Efeito sobre o custo de vida e a política interna
A discussão sobre redução das tarifas sobre aço e alumínio ocorre em um momento de atenção ao aumento do custo de vida nos EUA.
Uma pesquisa recente da Reuters em parceria com o Ipsos mostrou que 30% dos norte-americanos aprovaram a maneira como Trump lidou com o aumento do custo de vida, enquanto 59% desaprovaram, incluindo nove em cada dez democratas e um em cada cinco republicanos.
Analistas consultados pela imprensa destacam que a percepção sobre inflação e preços ao consumidor tende a influenciar o voto nas eleições legislativas, o que pode explicar a busca por medidas para reduzir preços.
Histórico das tarifas e alcance das medidas
Em 2025, o governo elevou tarifas sobre importações de aço e alumínio, com taxas que chegaram a 50% para diversos produtos, em substituição a uma alíquota anterior de 25% que vigorava para muitos itens.
O Departamento de Comércio aumentou as cobranças para mais de 400 produtos, incluindo turbinas eólicas, guindastes móveis, eletrodomésticos, escavadeiras, vagões ferroviários, motocicletas, motores marítimos e móveis.
Ao revisar a lista, a administração avalia manter instrumentos de segurança nacional, ao mesmo tempo em que tenta reduzir efeitos adversos imediatos sobre preços e cadeia produtiva doméstica.
Impacto para o Brasil e declaração de autoridades brasileiras
O aumento das tarifas afetou exportações brasileiras que contêm aço e alumínio, e gerou reação do governo do Brasil no ano passado.
Na época, o então vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, apresentou medidas e ressaltou efeitos de enquadramentos comerciais na Câmara dos Deputados.
Alckmin disse, “Fizemos a conta e dá US$ 2,6 bilhões de inserção de aço e alumínio nas exportações brasileiras, de US$ 40 bilhões de dólares, ou seja, 6,4% das exportações saem dos 50% e vão para a sessão do 232, o que torna igual nossa competitividade com o resto do mundo. Isso vai dar uma melhor na competitividade industrial”, disse Alckmin na época.
Especialistas ouvidos anteriormente notaram que parte das exportações brasileiras segue sendo afetada, o que tende a reduzir vendas para os EUA e alterar a dinâmica de concorrência no mercado doméstico.
O governo americano, por ora, não comentou oficialmente a reportagem nas horas iniciais após a divulgação, e a possível revisão será acompanhada por empresas e governos parceiros, inclusive no Brasil.