Trump defende ação do ICE em Minneapolis, acusa autoridades de ‘incitar insurreição’ após morte em operação e amplia tensão política no estado
Em postagem na Truth Social, presidente pede ‘Deixem nossos patriotas do ICE fazerem seu trabalho’ após agente federal matar homem em operação, e questiona ausência da polícia local
Um homem morreu neste sábado, 24, durante uma operação contra imigrantes em Minneapolis, e o episódio reacendeu o debate sobre a atuação federal na cidade.
O presidente Donald Trump foi às redes sociais para defender os agentes e publicar a imagem de uma pistola que, segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA, estava com a vítima.
As informações citadas a seguir são, em sua origem, conforme informação divulgada pelo g1
O que ocorreu na operação
De acordo com o Departamento de Segurança Interna dos EUA, o homem se aproximou de patrulheiros durante uma ação contra um imigrante ilegal, os patrulheiros reagiram com “tiros defensivos” e uma pistola semiautomática calibre 9 milímetros foi mostrada em foto divulgada pelo departamento.
O jornal The New York Times publicou análise quadro a quadro de um vídeo feito por testemunha, que, segundo o veículo, contradiz a versão do DHS, pois mostra o homem segurando um telefone quando foi derrubado no chão e, em seguida, baleado pelos agentes.
A polícia de Minneapolis informou que o homem era cidadão americano, morador da cidade, e possuía permissão para porte de arma. O governo federal afirmou que ele portava uma pistola e dois carregadores.
Reações de autoridades e a defesa do ICE
Na rede social Truth Social, Trump publicou a foto da arma e escreveu, em defesa da operação, “Deixem nossos patriotas do ICE fazerem seu trabalho”, além de questionar, entre outras coisas, “Onde estava a polícia local?” e por que agentes locais não teriam protegido os oficiais do ICE.
O presidente também afirmou que o prefeito e o governador teriam mandado os policiais embora, e atacou os dois, dizendo que eles “estão incitando insurreição com sua retórica pomposa, perigosa e arrogante!”
O governador Tim Walz respondeu classificando o episódio como “mais um ataque a tiros atroz” por parte de agentes federais, e afirmou, em rede social, “Acabei de falar com a Casa Branca após mais um ataque a tiros atroz por agentes federais esta manhã. Minnesota não aguenta mais. Isso é repugnante”.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, pediu ao presidente que encerre as operações da polícia de imigração na cidade, e declarou, em entrevista, “Presidente Trump: este é um momento que exige liderança. Coloque Minneapolis em primeiro lugar, coloque os Estados Unidos em primeiro lugar. Vamos restaurar a paz. Vamos encerrar esta operação”.
Contexto, números e escalada de tensão
A operação federal integra uma ampliação nas prisões relacionadas à imigração promovida pelo governo Trump em todo o país, e tem gerado confrontos com a população local.
Em sua postagem, Trump escreveu ainda que “Doze mil criminosos ilegais, muitos deles violentos, foram presos e retirados de Minnesota”, afirmando que, sem essas prisões, a situação seria ainda pior.
A tensão em Minneapolis aumentou nas últimas semanas após uma operação em 7 de janeiro que resultou na morte de uma mulher, confrontos entre agentes federais e manifestantes, e denúncias de uso de crianças como “isca” para prender imigrantes.
O caso desta semana deve alimentar novos debates sobre a supervisão das ações federais de imigração e sobre a coordenação entre autoridades locais e federais em operações como a que ocorreu em Minneapolis.
O que vem a seguir
Autoridades locais, estaduais e federais prometem investigar o caso, enquanto a divulgação de imagens e relatos contraditórios mantém a cidade em alerta e amplia o debate público sobre práticas do ICE e de patrulheiros de fronteira.
Especialistas e lideranças locais acompanham a apuração dos fatos, enquanto residentes e movimentos civis avaliam desdobramentos possíveis para a segurança pública e os direitos civis na região.