Trump defende ação do ICE em Minneapolis após nova morte, publica foto de arma e acusa prefeito e governador de incitar insurreição
Presidente pede que a ação do ICE seja permitida, repete que ‘Doze mil criminosos ilegais, muitos deles violentos, foram presos e retirados de Minnesota’, e critica autoridades locais
Um homem morreu baleado durante uma operação contra imigrantes em Minneapolis, neste sábado, e o caso reacendeu o debate sobre a atuação do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA.
O presidente Donald Trump publicou nas redes sociais uma foto de uma pistola que, segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA, estava com o homem, e voltou a defender a ação do ICE.
A disputa entre autoridades federais e locais é parte de uma escalada de confrontos em torno das operações de imigração em Minnesota, com acusações mútuas sobre responsabilidade e excesso de força, conforme informação divulgada pelo g1.
O episódio e as versões conflitantes
Segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA, a arma mostrada pelo governo estava com o homem que se aproximou da patrulha durante a operação, e os patrulheiros reagiram com “tiros defensivos”, disse o departamento.
Por outro lado, vídeo feito por testemunha e analisado quadro a quadro pelo jornal The New York Times contradiz a versão do Departamento de Segurança Interna, e, segundo o jornal, o homem segurava um telefone quando foi derrubado no chão e baleado pelos agentes.
A polícia de Minneapolis informou que a vítima era cidadão americano, morador da cidade, e possuía permissão para porte de arma. As divergências sobre o que ocorreu ilustram a tensão entre relatos oficiais e a análise de imagens por veículos de imprensa.
Reação de Trump e uso de frases centrais
No post feito na plataforma Truth Social, Trump escreveu, em português nas transcrições divulgadas, “Deixem nossos patriotas do ICE fazerem seu trabalho” e questionou a ausência de policiamento local, perguntando se o prefeito e o governador “mandaram esses policiais embora”.
O presidente também publicou, na mesma mensagem, “Doze mil criminosos ilegais, muitos deles violentos, foram presos e retirados de Minnesota. Se eles ainda estivessem lá, vocês veriam algo muito pior do que estão presenciando hoje”.
Ao defender a ação do ICE, Trump acusou o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o governador do estado, Tim Walz, de estarem “incitando insurreição com sua retórica pomposa, perigosa e arrogante”, em referência às críticas que eles fizeram às operações federais.
Autoridades locais cobram fim das operações
O governador Tim Walz classificou o caso como “mais um ataque a tiros atroz” por parte de agentes federais, e afirmou, em declaração pública, “Acabei de falar com a Casa Branca após mais um ataque a tiros atroz por agentes federais esta manhã. Minnesota não aguenta mais. Isso é repugnante”.
O prefeito Jacob Frey pediu publicamente que Trump encerre as operações do ICE em Minneapolis, em um apelo direto ao presidente: “Presidente Trump: este é um momento que exige liderança. Coloque Minneapolis em primeiro lugar, coloque os Estados Unidos em primeiro lugar. Vamos restaurar a paz. Vamos encerrar esta operação”.
Contexto e impactos da escalada
Nos últimos meses, o governo federal ampliou prisões relacionadas à imigração em todo o país, e a operação em Minneapolis foi um dos focos dessa estratégia, gerando protestos, confrontos entre agentes federais e manifestantes, e denúncias de uso de táticas controversas.
O episódio desta semana ocorre duas semanas após outra morte em uma operação similar na cidade, e intensifica o debate sobre o papel do ICE, a investigação de práticas dos agentes, e a resposta das autoridades locais, enquanto a população e a imprensa buscam esclarecer as divergências entre versões oficiais e evidências em vídeo.
As apurações sobre o caso devem prosseguir, e autoridades locais e federais seguirão sob pressão para apresentar detalhes técnicos e provas, enquanto a cidade vive momentos de tensão em torno das operações do ICE.