Trump diz que aplicará tarifas de 100% ao Canadá se houver acordo com a China, ameaça atinge veículos elétricos, canola e comércio entre aliados

A ameaça de tarifas de 100% anunciada por Trump aumenta a incerteza sobre o comércio entre EUA, Canadá e China, e reacende debates sobre proteção industrial e cadeias de suprimentos

O presidente dos Estados Unidos afirmou em sua rede que imporá tarifas de 100% sobre produtos canadenses caso o Canadá feche um acordo comercial com a China, gerando reação imediata em Ottawa e Pequim.

A declaração ocorre após uma visita do primeiro-ministro canadense Mark Carney a Pequim, onde foi anunciada uma nova parceria estratégica e medidas para reduzir tarifas sobre produtos agrícolas e ampliar importações de veículos elétricos.

O episódio reacende dúvidas sobre a estabilidade das cadeias de suprimentos na América do Norte e sobre o futuro do comércio de veículos elétricos e canola, conforme informação divulgada pelo g1

Ameaça direta e citações de Trump

Em postagem na plataforma Truth Social, Trump escreveu, “Se Carney ‘pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias para os EUA, está muito enganado'”, e também advertiu, “Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”.

Afirmativas como essas elevam o tom entre aliados e revelam a disposição da administração em usar tarifas como ferramenta de pressão geopolítica e econômica.

O que prevê o acordo Canadá-China e impacto nos veículos elétricos

Segundo informações divulgadas, o Canadá permitirá inicialmente a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses com tarifa de 6,1%, um recuo em relação à alíquota anterior de 100% imposta no governo Trudeau em 2024.

Carney afirmou que a cota deve crescer gradualmente, chegando a cerca de 70.000 veículos em cinco anos, e justificou a medida como forma de integrar cadeias de suprimentos e aumentar a demanda interna para desenvolver um setor canadense competitivo de veículos elétricos.

Retaliações, números e setores atingidos

Em retaliação a tarifas prévias do governo canadense, a China impôs tarifas sobre mais de US$ 2,6 bilhões em produtos agrícolas e alimentícios, incluindo óleo e farinha de canola, e medidas sobre sementes de canola, segundo as informações recebidas.

Essas medidas levaram a uma queda de 10,4% nas importações de produtos canadenses pela China em 2025, e o novo acordo busca reduzir tarifas chinesas sobre sementes de canola até 1º de março para uma taxa combinada de cerca de 15% dos atuais 84%, além de destravar aproximadamente US$ 3 bilhões em pedidos de exportação para agricultores e pescadores.

Reações internas no Canadá e riscos para a revisão do acordo trilateral

Autoridades provinciais e setores industriais divergiram sobre a abertura ao mercado chinês, com líderes regionais criticando a entrada de veículos elétricos chineses sem garantias de investimentos locais.

A posição do governo canadense, que busca reconstruir laços comerciais com a China, contrasta com a abordagem dos Estados Unidos e pode complicar a revisão do acordo comercial entre EUA, Canadá e México, especialmente se Washington mantiver a retórica de tarifas punitivas.

O desfecho dependerá de negociações multilaterais nas próximas semanas e da capacidade dos países em acomodar interesses de segurança econômica e demandas de produtores locais.