Trump diz que EUA vão negociar petróleo venezuelano, refinar até 50 milhões de barris e permitir que China compre quanto quiser, afirma g1
EUA anunciam acordo para comercializar e refininar petróleo venezuelano, controlar receitas em contas sob supervisão americana e direcionar compras ao mercado dos EUA
O presidente Donald Trump afirmou que empresas interessadas no petróleo venezuelano terão de negociar diretamente com os Estados Unidos, e que os EUA irão refinar e vender parte do óleo retido na Venezuela.
Segundo o governo americano, a intenção é comercializar imediatamente volumes acumulados, com receitas depositadas em contas sob controle dos EUA e destinadas a fins que, segundo Washington, beneficiarão americanos e venezuelanos.
As declarações foram feitas durante reunião com executivos de grandes petroleiras, e ocorreram dias após uma operação militar americana na Venezuela que prendeu o presidente Nicolás Maduro, conforme informação divulgada pelo g1.
O que Trump anunciou e cifras citadas
Trump disse que os Estados Unidos vão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto venezuelano, e afirmou, textual, “A China pode comprar todo o petróleo que quiser dos EUA, nos Estados Unidos ou na Venezuela”. O presidente também afirmou ter fechado acordo para exportar até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano aos EUA, segundo o relato da reunião.
O governo americano informou que as vendas começam “imediatamente” e seguirão por tempo indeterminado. Em comunicado, o Departamento de Energia afirmou que toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
Como o Departamento de Energia descreve a operação
O Departamento de Energia declarou, entre outros pontos, que “Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados”. A agência também disse que os recursos serão depositados em contas controladas pelos EUA para “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”, que serão feitos “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA”.
Além disso, a Casa Branca informou que “o petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”. Segundo a administração, o total entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
Reações e contexto comercial
A China, que passou a responder por cerca de 68% das exportações venezuelanas após sanções americanas em 2019, é o principal comprador do petróleo da Venezuela. Com o novo arranjo, Trump disse que a Venezuela concordou em destinar a receita da venda à compra exclusiva de produtos fabricados nos EUA, incluindo itens agrícolas, medicamentos e equipamentos médicos.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o país está aberto a relações energéticas em que todas as partes se beneficiem. A estatal PDVSA citou avanço nas negociações com os EUA para venda de petróleo, e disse que as partes discutem termos semelhantes aos vigentes com parceiros como a Chevron.
Impacto geopolítico e próximos passos
As falas de Trump ocorreram após a ação militar americana na Venezuela que prendeu Nicolás Maduro, operação que, de acordo com relatos, resultou na morte de ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos. A movimentação altera a dinâmica da oferta global de petróleo e pode reduzir embarques diretos a compradores atuais, como a China.
Especialistas e empresas do setor ainda precisam detalhar os mecanismos logísticos, a supervisão das contas onde serão depositadas as receitas e o calendário das vendas. A administração americana afirma que as transações visam garantir benefícios ao povo dos dois países, e que os volumes e preços serão definidos a mercado.