Trump diz que Irã pode aceitar acordo, eu fixei um prazo, e ameaça ‘próximo ataque será muito pior’, enquanto Teerã mantém defesa e programa nuclear

Trump diz que Irã deve negociar rapidamente, presidente americano fala em prazo e em armada poderosa, e autoridades iranianas dizem-se abertas ao diálogo, mas afirmam que vão se defender

As falas trocadas entre Washington e Teerã elevaram os temores de escalada na região, com líderes de ambos os lados insistindo em condições opostas para um acordo.

O presidente americano afirmou que quer ver um fim ao programa nuclear iraniano, enquanto autoridades iranianas dizem que não abrirão mão de suas capacidades de Defesa.

Conforme informação divulgada pelo g1.

O que Trump disse na Casa Branca

Questionado por jornalistas no Salão Oval sobre a recente escalada de tensão, o presidente dos Estados Unidos afirmou, sobre as intenções iranianas, “Posso dizer isto: eles querem chegar a um acordo. Eu fixei um prazo, mas só eles sabem com certeza qual”.

Ao ser questionado se pretendia repetir ações semelhantes às da Venezuela, ele se recusou a detalhar planos militares, dizendo, “Não quero falar de nada que tenha a ver com meus planos militares. Mas contamos com uma frota extremamente poderosa naquela região, ainda maior do que na Venezuela”.

Em uma publicação em rede social citada pela reportagem, Trump também escreveu, “Esperamos que o Irã se sente à mesa de negociações o mais breve possível e chegue a um acordo justo e equitativo – sem armas nucleares – um acordo que seja bom para todas as partes. O tempo está se esgotando, é realmente essencial! Como eu disse ao Irã uma vez, façam um acordo! Eles não fizeram e houve a “Operação Martelo da Meia-Noite”, uma grande destruição do Irã. O próximo ataque será muito pior! Não deixem isso acontecer novamente”.

Resposta e postura do Irã

Autoridades iranianas responderam com tom duplo, misturando abertura para diálogo e firmeza na defesa. O presidente Masoud Pezeshkian declarou que “O Irã acolhe o diálogo e não busca a guerra”, mas advertiu que, em caso de ataque, “responderá imediata e decisivamente a qualquer agressão”.

O chanceler Abbas Araqchi, em visita à Turquia, afirmou que Teerã está preparado para negociações com os EUA sobre o acordo nuclear desejado por Washington, desde que as conversas sejam “justas e equitativas”. Ele também deixou claro que o governo iraniano “não abrirá mão de manter e expandir suas capacidades de Defesa”.

Em tom mais duro, o conselheiro sênior do aiatolá, Ali Shamkhani, advertiu que “Um ataque limitado é uma ilusão. Qualquer ação militar dos EUA, de qualquer origem e em qualquer nível, será considerada o início de uma guerra, e sua resposta será imediata, abrangente e sem precedentes, visando o agressor, o coração de Tel Aviv e todos os apoiadores do agressor”.

Contexto, denúncias e movimentações militares

Washington acusa Teerã de buscar tecnologia nuclear com potencial bélico, enquanto o aiatolá e autoridades iranianas afirmam que o programa tem fins de defesa e proteção do país. O Irã, segundo o material, não permitiu inspeções recentes da agência da ONU responsável pelo tema.

Além das ameaças, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou exercícios com munição real no Estreito de Ormuz, rota estratégica para exportação de petróleo. Em paralelo, um alto funcionário iraniano criticou a decisão da União Europeia de incluir a Guarda Revolucionária em lista de organizações terroristas, dizendo que países europeus que tomaram tal atitude podem receber retaliações diplomáticas e políticas.

Opções e repercussões internacionais

Relatos de imprensa indicam que a administração americana avalia diversas opções, que vão de bombardeios a operações especiais encobertas dentro do Irã, e até a possibilidade de buscar uma mudança de regime, segundo reportagem do The New York Times citada nas informações recebidas.

Internamente, o clima no Irã também é marcado por protestos e repressão, com ativistas afirmando que a repressão teria causado, até o momento, pelo menos 6.159 mortes, dado citado nas fontes.

Com as duas partes mantendo posições firmes, analistas alertam para o risco de incidentes que possam se transformar em confrontos mais amplos, e pedem que diplomacia e canais de diálogo sejam priorizados para evitar uma nova rodada de violência na região.