Em entrevista na Casa Branca, Trump afirmou que os iranianos querem negociar, disse ter fixado um prazo para uma resposta, e evitou falar sobre operações militares, enquanto Teerã repete que não busca guerra
O presidente dos Estados Unidos voltou a pressionar por um acordo nuclear sem armas, e assegurou que deu um prazo para que o Irã responda, sem detalhar o calendário.
Do lado iraniano, autoridades repetiram que estão abertas ao diálogo, mas afirmaram que não abrirão mão de suas capacidades de defesa e que responderão se forem atacadas.
As declarações e citações do episódio foram registradas em reportagens nacionais e internacionais, conforme informação divulgada pelo g1.
O que Trump disse na Casa Branca
Questionado por jornalistas no Salão Oval sobre a escalada de tensões, Donald Trump afirmou, em português, “Posso dizer isto: eles querem chegar a um acordo. Eu fixei um prazo, mas só eles sabem com certeza qual”.
Ao ser perguntado se pretendia repetir ações semelhantes às que descreveu na Venezuela, ele se recusou a detalhar planos militares, dizendo, “Não quero falar de nada que tenha a ver com meus planos militares. Mas contamos com uma frota extremamente poderosa naquela região, ainda maior do que na Venezuela”.
Em post em rede social, Trump também lembrou uma operação anterior e escreveu que espera um acordo “sem armas nucleares”, e que “o próximo ataque será muito pior”, ao pedir que o Irã sente à mesa de negociações, conforme o trecho divulgado pela reportagem.
Resposta e cautela de representantes iranianos
Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian declarou, em tom mais ameno, “O Irã acolhe o diálogo e não busca a guerra”, e disse que, caso seu país seja atacado, “responderá imediata e decisivamente a qualquer agressão”.
O chanceler Abbas Araqchi, em viagem à Turquia, afirmou que Teerã está preparado para negociações com os EUA sobre o acordo nuclear desejado por Trump, mas ponderou que as conversas precisam ser “justas e equitativas”.
Araqchi também ressaltou que, até o momento, não há planejamento de reunião entre os dois países, e afirmou que o governo iraniano não abrirá mão de manter e expandir suas capacidades de defesa, ligadas ao programa nuclear.
Risco de escalada e ameaças mútuas
Autoridades iranianas advertiram que qualquer ataque será considerado o início de uma guerra. O conselheiro sênior do aiatolá, Ali Shamkhani, declarou, “Um ataque limitado é uma ilusão. Qualquer ação militar dos EUA , de qualquer origem e em qualquer nível, será considerada o início de uma guerra , e sua resposta será imediata, abrangente e sem precedentes, visando o agressor, o coração de Tel Aviv e todos os apoiadores do agressor”.
Em reação à decisão da União Europeia de incluir a Guarda Revolucionária iraniana na lista de organizações terroristas, autoridades do Irã disseram que podem colocar em sua lista negra as Forças Armadas dos países europeus que adotaram a medida, aumentando a tensão diplomática com o bloco.
A Guarda Revolucionária anunciou exercícios com munição real no Estreito de Ormuz, rota estratégica para a exportação de petróleo, e autoridades americanas, segundo reportagens, estudam opções militares variadas, que vão de bombardeios a operações especiais encobertas.
Impactos e contexto interno no Irã
Além da disputa sobre o programa nuclear, o governo iraniano enfrenta forte repressão a protestos internos. Segundo ativistas, a repressão matou pelo menos 6.159 pessoas até o momento, número citado nas reportagens que cobrem o caso.
O governo dos EUA acusa o Irã de desenvolver uma arma nuclear, alegação que Teerã nega, afirmando uso da tecnologia apenas para fins de proteção. O Irã também tem limitado o acesso de inspetores da agência da ONU às suas usinas, segundo as informações disponíveis.
Com ambos os lados reafirmando disposição para diálogo, mas sem abrir mão de posturas firmes sobre defesa e controle do programa nuclear, analistas alertam para o alto risco de escalada, caso haja ação militar, e para a dificuldade de convergir em uma negociação considerada “justa e equitativa” por Teerã.