Presidente afirma que empresas deverão negociar o petróleo venezuelano diretamente com os EUA, com receitas em contas controladas pelos EUA, e que “A China pode comprar todo o petróleo que quiser dos EUA, nos Estados Unidos ou na Venezuela”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou mudanças na forma como o petróleo venezuelano será comercializado, dizendo que empresas interessadas terão de negociar diretamente com Washington.
Durante reunião com altos funcionários do governo e executivos de grandes petroleiras, Trump afirmou ainda que os EUA vão refinar e vender parte do petróleo retido na Venezuela.
As declarações e detalhes sobre depósitos e termos do acordo foram divulgados por autoridades americanas, conforme informação divulgada pelo g1
O que Trump anunciou e números-chave
Segundo o relato apresentado, os Estados Unidos vão refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto da Venezuela, sob um novo acordo com Caracas.
Trump afirmou que “A China pode comprar todo o petróleo que quiser dos EUA, nos Estados Unidos ou na Venezuela”, abrindo a possibilidade de vendas que, segundo ele, poderão incluir remessas antes destinadas à China.
O presidente também disse ter negociado a exportação de até US$ 2 bilhões em petróleo bruto venezuelano para os EUA, movimento que poderia desviar fornecimentos da China e apoiar a produção venezuelana.
Controle das receitas e mecanismo financeiro
O Departamento de Energia dos EUA informou que “toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente”.
Em comunicado citado na reunião, a pasta afirmou ainda que “Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados”.
O objetivo, conforme a mensagem oficial, é garantir que os recursos sejam distribuídos de forma legítima e com benefícios para as populações envolvidas, segundo o governo dos EUA.
Relação com a China e participação no mercado
A China é hoje o principal comprador do petróleo venezuelano. Após sanções americanas aplicadas desde 2019, a participação chinesa subiu para 68% das exportações venezuelanas nos últimos anos.
Com a nova proposta, Trump afirmou abertura a negócios com a China, reiterando que os Estados Unidos seriam o centro das negociações e das operações de refino e comercialização do petróleo venezuelano.
Posição da Venezuela e sinais de negociação
A petroleira estatal venezuelana PDVSA citou avanço nas negociações com os EUA, dizendo que as partes “vêm discutindo termos semelhantes aos que estão em vigor com parceiros estrangeiros, como a petroleira americana Chevron”.
Autoridades venezuelanas indicaram também interesse em acordos energéticos que tragam benefícios mútuos, enquanto o governo americano defende que os recursos fiquem inicialmente sob controle dos EUA para garantir integridade na distribuição.
As vendas, segundo o Departamento de Energia, começam “imediatamente”, e continuarão por tempo indeterminado, conforme as negociações avançarem e as partes acertarem os detalhes operacionais.
As medidas anunciadas colocam o petróleo venezuelano no centro de uma estratégia que envolve controle financeiro americano, refinarias nos EUA e negociações com grandes compradores, em especial a China, com impacto direto no mercado global de energia.