Comentários de Trump sobre o valor do dólar pressionam mercado, enquanto preocupações com políticas fiscais e cortes do Fed alimentam a fraqueza da moeda
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a repórteres em Iowa que o valor do dólar é “ótimo” ao ser questionado se a moeda havia caído demais.
Após as declarações, o índice do dólar, que mede a força da moeda frente a uma cesta de seis divisas, caiu até 95,566, o menor nível desde fevereiro de 2022.
Analistas citam expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve, incertezas tarifárias e déficits fiscais como causas, e apontam riscos e benefícios para a economia global, conforme informação divulgada pelo g1
Por que o dólar caiu
O movimento de baixa do dólar reflete vários fatores, entre eles as apostas do mercado em novos cortes de juros pelo Fed, o aumento dos déficits fiscais e a volatilidade de políticas, incluindo ameaças à independência do banco central dos EUA.
Além disso, ficou em pauta a possibilidade de uma intervenção cambial coordenada entre Estados Unidos e Japão para sustentar o iene, após o Japão registrar movimento de alta na moeda local.
Segundo a cobertura, o iene se valorizou até 4% nas duas últimas sessões diante de comentários sobre verificações de taxas pelos EUA e pelo Japão, frequentemente vistos como prelúdio para ação oficial.
Reações do mercado e de analistas
As perdas no índice do dólar se aceleraram depois das falas de Trump, com a mínima da sessão em 95,566, menor nível desde fevereiro de 2022.
Steven Englander, chefe de pesquisa global de moedas do G10 do Standard Chartered, afirmou que “Os participantes do mercado cambial estão sempre à procura de uma tendência para seguir”, e que a indiferença ou o endosso do presidente estimula vendedores de dólares.
Outra observação citada na cobertura foi a de Eugene Epstein, da Moneycorp, que disse, “O governo quer um dólar mais fraco”, destacando a relação dessa postura com o esforço de reduzir o déficit comercial.
Impacto para empresas, comércio e inflação
Um dólar mais fraco traz efeitos distintos, ajudando exportadores americanos ao tornar produtos dos EUA mais competitivos no exterior, e diminuindo o peso de dívidas denominadas em dólares para credores estrangeiros.
Por outro lado, um dólar mais fraco encarece importações, o que pode pressionar preços ao consumidor e elevar risco de inflação, como lembram estrategistas do mercado.
Steve Sosnick, estrategista da Interactive Brokers, resumiu a situação dizendo que um dólar mais fraco é “uma faca de dois gumes”, beneficiando multinacionais que convertem receitas em moedas estrangeiras, e prejudicando consumidores com bens importados mais caros.
O que Trump disse e a mensagem política
Ao ser questionado sobre a queda da moeda, Trump afirmou, “Eu gostaria que ele… simplesmente encontrasse seu próprio nível”, e repetiu, “Não, eu acho ótimo, o valor do dólar… o dólar está indo muito bem”.
Em outra declaração, ele lembrou de disputas com parceiros comerciais, dizendo, “Se você olhar para a China e o Japão, eu costumava brigar muito com eles, porque eles sempre queriam desvalorizar”.
As falas aconteceram antes de um discurso focado na economia, em um esforço para mobilizar apoiadores rurais em um estado com disputas eleitorais importantes para o Congresso.
Em síntese, a combinação entre declarações presidenciais, contexto de política monetária e fatores externos ajudou a acelerar a desvalorização do dólar, com efeitos amplos para comércio e inflação, e com mercados atentos a novos desdobramentos nas próximas sessões.