Trump diz que valor do dólar é ‘ótimo’, e fala reacende queda, índice cai para 95,566, menor nível em quatro anos, e aumenta riscos para importadores e inflação
Declaração de Trump sobre o valor do dólar intensifica perdas, pressionadas por expectativas de cortes do Fed, incertezas tarifárias e déficits fiscais, afetando comércio e preços
O presidente Donald Trump afirmou que o valor do dólar está “ótimo” ao ser questionado se achava que a moeda havia caído demais, comentário que aumentou a pressão sobre a divisa americana em meio a uma sequência de fraqueza no câmbio.
A recente queda do dólar reflete diversos fatores, entre eles a expectativa de novos cortes de juros pelo Federal Reserve, incertezas em torno de tarifas e sinais de volatilidade nas políticas econômicas, incluindo ameaças à independência do Fed.
As informações sobre a fala do presidente e os movimentos do mercado foram divulgadas pelo g1, e mostram que a moeda americana acumula perdas que podem beneficiar exportadores, mas também encarecem importações e elevam o risco de inflação.
conforme informação divulgada pelo g1
Queda do índice e reação do mercado
Após os comentários de Trump, o índice do dólar, que mede a força da moeda frente a uma cesta de seis divisas principais, acelerou as perdas, atingindo a mínima da sessão em 95,566, o menor nível desde fevereiro de 2022, segundo reportagem do g1.
O índice compara o dólar com euro, iene japonês, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço. Quando sobe, indica valorização média do dólar frente a esse conjunto de moedas, quando cai, indica enfraquecimento.
Motivos da fraqueza e risco de intervenção
Operadores também vinham precificando a possibilidade de uma intervenção cambial coordenada entre Estados Unidos e Japão para sustentar o iene, que se recuperou nas últimas sessões. O iene teve valorização de até 4% nas duas últimas sessões após comentários sobre verificações de taxas por EUA e Japão, frequentemente vistas como prelúdio para intervenção oficial.
Sobre a dinâmica do mercado, Steven Englander, chefe de pesquisa global de moedas do G10 do Standard Chartered, afirmou, “Os participantes do mercado cambial estão sempre à procura de uma tendência para seguir”, e alertou que comentários de autoridades podem encorajar vendedores de dólares a manterem a pressão.
Efeitos econômicos de um dólar mais fraco
Um dólar mais fraco tende a beneficiar exportadores americanos, porque torna os produtos dos Estados Unidos mais competitivos no exterior e facilita a conversão de lucros obtidos em moeda estrangeira para dólares. Ao mesmo tempo, encarece importações e pode pressionar preços ao consumidor.
Eugene Epstein, chefe de operações e produtos estruturados da Moneycorp, disse, “O governo quer um dólar mais fraco”, apontando que isso ajuda a melhorar o déficit comercial. Em contrapartida, Steve Sosnick, estrategista da Interactive Brokers, definiu a situação como “uma faca de dois gumes”, porque ganhos para multinacionais podem vir acompanhados de impacto inflacionário por importados mais caros.
O que disse Trump e perspectivas
Em viagem a Iowa, Trump disse que não busca deliberadamente uma nova desvalorização, mas declarou que gostaria que o dólar “simplesmente encontrasse seu próprio nível”, citando ainda que “não, eu acho ótimo, o valor do dólar… o dólar está indo muito bem”.
Analistas ressaltam que a combinação de expectativas de cortes de juros, déficits fiscais crescentes e incertezas tarifárias corrói a confiança dos investidores na estabilidade econômica dos Estados Unidos, o que sustenta o movimento de queda do dólar.
No curto prazo, a tendência do câmbio dependerá de dados econômicos, decisões do Fed, e da postura de autoridades, enquanto empresas e consumidores devem ajustar estratégias diante de custos de importação mais altos e vantagens pontuais para exportadores.