Trump diz que valor do dólar é ‘ótimo’ enquanto moeda atinge menor nível em quatro anos, veja impactos para exportações, importações e inflação
Comentários do presidente sobre o valor do dólar reforçam queda da moeda, pressionada por expectativa de cortes de juros, incertezas tarifárias e déficits fiscais
O presidente Donald Trump declarou que o valor do dólar é “ótimo” ao ser questionado se a moeda havia caído demais, afirmação que aumentou a pressão sobre a divisa americana.
A fala ocorreu em Iowa, em um esforço para mobilizar apoiadores rurais antes de disputas importantes ao Congresso em novembro, e coincidiu com novo recuo do dólar nos mercados.
Os movimentos refletem expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve, incertezas sobre tarifas, volatilidade de políticas e aumento dos déficits fiscais, fatores que reduzem a confiança dos investidores.
conforme informação divulgada pelo g1
Queda do dólar, dados e citações
Após os comentários de Trump, as perdas no índice do dólar se aceleraram, atingindo a mínima da sessão em 95,566, o menor nível desde fevereiro de 2022, segundo o levantamento.
O índice do dólar mede a força da moeda frente a uma cesta de seis divisas, incluindo euro, iene japonês, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço, o que ajuda a explicar a amplitude do movimento.
Ao ser perguntado se achava que a moeda havia caído demais, Trump disse, “Não, eu acho ótimo, o valor do dólar… o dólar está indo muito bem”.
Em outro momento, ele afirmou, “Eu gostaria que ele… simplesmente encontrasse seu próprio nível”.
Por que a moeda enfraqueceu
Operadores no mercado vêm precificando a possibilidade de cortes de juros pelo Federal Reserve, o que tende a reduzir o rendimento real dos ativos em dólares, e isso torna o valor do dólar mais fraco.
Além disso, o mercado reagiu a sinais de intervenção coordenada entre Estados Unidos e Japão para sustentar o iene, o que também mexe com fluxos cambiais.
O iene se valorizou até 4% nas duas últimas sessões diante de comentários sobre verificações de taxas pelos EUA e pelo Japão, movimentação vista como prelúdio para uma eventual intervenção oficial.
Reações de especialistas e efeitos práticos
Analistas destacam que quando autoridades demonstram indiferença ou apoio tácito à queda, isso encoraja vendedores de dólares a manter a pressão. “Os participantes do mercado cambial estão sempre à procura de uma tendência para seguir”, disse Steven Englander, do Standard Chartered.
Para alguns, um dólar mais fraco traz benefícios, tornando exportações americanas mais competitivas e facilitando a conversão de lucros no exterior para empresas multinacionais.
Eugene Epstein afirmou, “O governo quer um dólar mais fraco”, lembrando que isso pode ajudar a melhorar o déficit comercial.
Em contrapartida, Steve Sosnick descreveu o cenário como “uma faca de dois gumes”, porque bens importados ficam mais caros e há risco de pressão inflacionária.
O que vem a seguir
Com o dólar enfraquecido, decisões do Federal Reserve, movimentos de política fiscal e possíveis intervenções coordenadas serão determinantes para o novo patamar do valor do dólar.
Investidores e empresas seguem monitorando indicadores econômicos e declarações de autoridades, enquanto o mercado ajusta posições entre ganhos para exportadores e custos maiores de importação, além do risco de aceleração da inflação.
O episódio mostra como falas de autoridades podem amplificar tendências já em curso, e mantém o tema do valor do dólar entre os principais pontos de atenção para mercados e formuladores de política.