Trump e Powell, confronto histórico: cronologia das críticas públicas, pressões por cortes de juros, investigação criminal e a indicação de Kevin Warsh para o Fed
Cronologia detalhada do atrito entre Trump e Powell, com ataques públicos desde 2025, pressão por redução das taxas de juros e a investigação aberta pelo DOJ em 2026
O atrito entre Trump e Powell ganhou novos capítulos com a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Fed, anunciada pelo presidente americano em 30 de janeiro de 2026.
Desde 2025, a disputa envolve pressões por cortes nas taxas de juros, ataques públicos nas redes sociais e, já em 2026, uma investigação criminal contra Jerome Powell.
O quadro combina tensão política, defesa da independência do banco central e risco de novas turbulências econômicas, enquanto a Casa Branca e o Federal Reserve se enfrentam publicamente,
conforme informação divulgada pelo g1
Primeiro semestre de 2025, pressões iniciais e encontros
No início de 2025, Trump e Powell trocaram críticas sobre a política de juros, com o presidente pedindo cortes mais rápidos para estimular a economia.
Em março de 2025, Trump criticou a decisão do Fed de manter os juros estáveis e disse que o banco estaria “muito melhor se cortasse as taxas”.
Em abril, no chamado “Dia da Libertação”, Trump afirmou que juros menores ajudariam a economia a lidar com novas tarifas de importação.
Em maio, durante o primeiro encontro presencial na Casa Branca, Trump disse a Powell que ele cometia um “erro” ao não reduzir os juros.
Powell respondeu que as decisões sobre política monetária dependeriam apenas dos dados econômicos e reiterou que o Fed age “conforme determina a lei, isento de influência política”.
Junho a outubro de 2025, escalada verbal
Ao longo do segundo trimestre, o tom entre Trump e Powell se tornou mais duro, com ataques públicos frequentes do presidente.
Em junho, Trump chamou Powell de “burro” e “teimoso”, e sugeriu que o Congresso deveria agir contra ele. Powell, em audiência no Congresso, disse que “não precisamos ter pressa” para reduzir os juros devido à incerteza inflacionária.
Em julho, o presidente chamou Powell de “estúpido” e “cabeça oca”, afirmando que a política monetária estava “prejudicando as pessoas”.
No mês de outubro, Trump se referiu a Powell como “chefe incompetente do Fed” e “cara ruim”, e disse que ele sairia do cargo em poucos meses, intensificando a retórica.
Em novembro, a Casa Branca classificou Powell como “mula de teimosia” por não reduzir as taxas enquanto a inflação permanecia acima da meta.
Janeiro de 2026, investigação criminal e indicação de Kevin Warsh
Em janeiro de 2026, o conflito atingiu outro patamar com a abertura de uma investigação criminal pelo Departamento de Justiça, o DOJ, contra Powell, por suposta má administração e mentiras ao Congresso sobre reformas nos prédios do Fed.
No dia 11 de janeiro de 2026, Trump negou envolvimento direto na ação do DOJ, mas afirmou que “ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom na construção de edifícios”.
Powell reagiu em vídeo, acusando o governo de usar a investigação como “pretexto” para intimidação política e dizendo que “a ameaça de processos criminais é consequência do Fed definir as taxas com base no interesse público, não nas preferências do presidente”.
Em 14 de janeiro, Trump afirmou à Reuters que não tinha planos imediatos de demitir Powell, mas que era “muito cedo” para decidir.
Após o Fed manter os juros entre 3,50% e 3,75% em 29 de janeiro de 2026, Trump voltou a atacar, chamando Powell de “imbecil” e afirmando que o Fed “está custando aos Estados Unidos centenas de bilhões de dólares por ano em juros totalmente desnecessários”.
No dia 30 de janeiro de 2026, Trump anunciou que indicaria um sucessor para Powell, cujo mandato termina em maio, com Kevin Warsh como principal cotado para chefiar o banco central.
O que está em jogo, independência do Fed e riscos políticos
A disputa entre Trump e Powell coloca em foco a independência do Fed, o futuro da política de juros e o impacto sobre mercados e investidores.
Se confirmada a indicação de Kevin Warsh, a mudança na liderança do banco central pode trazer alterações na comunicação e na condução da política monetária, com implicações para inflação, crescimento e custos de crédito.
Além das consequências econômicas, o confronto expõe um dilema político, entre a pressão do Executivo por medidas rápidas e a postura do Fed de basear decisões em dados e mandatos legais.
Analistas e mercados acompanharão de perto os próximos passos, entre a tramitação da indicação no Congresso e o desenrolar da investigação do DOJ contra Powell.