quinta-feira, junho 4, 2026

Trump e Powell, cronologia da crise: críticas públicas por manutenção de juros, abertura de investigação do DOJ e indicação de Kevin Warsh para chefiar o Fed

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Como a pressão pública de Trump por cortes de juros, os ataques verbais a Jerome Powell e a investigação criminal mudaram a relação entre Trump e Powell até a indicação de Warsh

O relacionamento entre Trump e Powell se tornou público, conturbado e central para debates sobre a independência do Federal Reserve.

Desde março de 2025, o presidente voltou a criticar decisões do banco central, pedindo cortes agressivos nas taxas, enquanto o Fed ressaltou foco no controle da inflação.

O conflito ganhou um novo capítulo com a abertura de inquérito pelo Departamento de Justiça, conforme informação divulgada pelo g1.

Pressões iniciais e encontros em 2025

Em março de 2025, Trump criticou o Fed por manter os juros estáveis e disse que a instituição estaria “muito melhor se cortasse as taxas”.

Em abril, no chamado “Dia da Libertação”, o presidente defendeu que juros menores ajudariam a economia a lidar com novas tarifas de importação, e em maio, durante o primeiro encontro presencial na Casa Branca, afirmou a Powell que ele cometia um “erro” ao não reduzir os juros.

Em resposta, Powell destacou que as decisões de política monetária dependem apenas dos dados econômicos e reafirmou que o Fed age “conforme determina a lei… isento de influência política”, além de dizer em audiência que “não precisamos ter pressa” para reduzir os juros.

Escalada verbal na segunda metade de 2025

Ao longo do segundo semestre de 2025, os ataques de Trump a Powell se intensificaram nas redes e em declarações públicas.

Em junho, o presidente chamou o presidente do Fed de “burro” e “teimoso” e sugeriu que o Congresso deveria agir contra ele, enquanto Powell evitou responder aos ataques pessoais nas audiências.

Em julho e outubro, as críticas continuaram, com termos como “estúpido”, “cabeça oca”, “chefe incompetente do Fed” e “cara ruim” sendo usados por Trump, e em novembro a Casa Branca descreveu Powell como “mula de teimosia” por não reduzir as taxas diante de inflação acima da meta.

Investigação criminal e reações em janeiro de 2026

No início de 2026, o conflito alcançou novo patamar com a abertura de uma investigação criminal pelo Departamento de Justiça contra Powell, por suposta má administração e mentiras ao Congresso sobre reformas nos prédios do Fed.

Em 11 de janeiro de 2026, Trump negou envolvimento direto na ação do DOJ, mas atacou Powell, dizendo, “ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom na construção de edifícios”.

Em vídeo, Powell acusou o governo de usar a investigação como “pretexto” para intimidação política e afirmou que, “a ameaça de processos criminais é consequência do Fed definir as taxas com base no interesse público, não nas preferências do presidente”.

Em 14 de janeiro, Trump disse à Reuters que não tinha planos imediatos de demitir Powell, mas que era “muito cedo” para decidir sobre o futuro do presidente do Fed.

Após o Fed manter os juros entre 3,50% e 3,75% em 29 de janeiro, Trump chamou Powell de “idiota” e afirmou que ele estava “prejudicando o país e a segurança nacional”, e que o Fed “está custando aos Estados Unidos centenas de bilhões de dólares por ano em juros totalmente desnecessários”.

Indicação de Kevin Warsh e próximos passos

Em 30 de janeiro de 2026, Trump anunciou que indicaria um sucessor para Powell, cujo mandato termina em maio, com Kevin Warsh como principal cotado para chefiar o banco central.

A indicação marca uma nova fase da disputa entre Trump e Powell, e coloca em foco o debate sobre a independência do Fed, o impacto das decisões sobre inflação e crescimento e o risco de politização da política monetária.

Analistas destacam que a continuidade da pressão política pode afetar a confiança dos mercados e a percepção internacional sobre a autoridade do banco central, enquanto a Casa Branca defende que juros mais baixos beneficiariam a economia doméstica.

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