Trump e Powell: cronologia da crise entre presidente e chefe do Fed, críticas públicas, investigação do DOJ, pressão por cortes de juros e indicação de Kevin Warsh

Como as pressões por cortes de juros desde 2025, ataques pessoais e a investigação criminal transformaram a relação entre Trump e Jerome Powell no Federal Reserve

O confronto público entre o presidente Donald Trump e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, se intensificou desde 2025, envolvendo críticas pessoais, disputas sobre política monetária e um inquérito do Departamento de Justiça.

Trump cobrou repetidamente cortes de juros, enquanto Powell defendeu a independência do Fed e priorizou controle da inflação, mesmo sob pressão presidencial.

As trocas públicas, a investigação criminal aberta pelo DOJ e a recente indicação de um sucessor anunciam um novo capítulo nessa disputa, conforme informação divulgada pelo g1

Pressões iniciais e primeiros encontros

No primeiro semestre de 2025, Trump começou a cobrar cortes mais agressivos na taxa de juros, argumentando que taxas menores ajudariam a economia a enfrentar novas tarifas de importação.

Em março de 2025, ele afirmou que o Fed estaria “muito melhor se cortasse as taxas”, e no encontro presencial em maio disse a Powell que ele cometia um “erro” ao não reduzir os juros.

Powell respondeu que as decisões sobre política monetária dependeriam apenas de dados, e reafirmou que o Fed age, “conforme determina a lei… isento de influência política”, ressaltando a importância da independência institucional.

Escalada verbal e ataques pessoais

Ao longo de 2025, as críticas de Trump tornaram-se mais duras e pessoais. Em junho, o presidente o chamou de “burro” e “teimoso”, e sugeriu que o Congresso deveria agir contra ele.

Nos meses seguintes, os ataques seguiram em tom forte, com Trump usando termos como “estúpido”, “cabeça oca”, “chefe incompetente do Fed”, “cara ruim” e classificando Powell como uma “mula de teimosia” por não reduzir as taxas enquanto a inflação estava acima da meta.

Powell, por sua vez, evitou responder a ataques pessoais em público, mantendo o foco em comunicações técnicas e observando que, diante da incerteza inflacionária, “não precisamos ter pressa” para cortar os juros.

Investigação criminal e reações

Em janeiro de 2026, o conflito alcançou um novo patamar com a abertura de uma investigação criminal pelo Departamento de Justiça contra Powell, por suposta má administração e por mentiras ao Congresso sobre reformas nos prédios do Fed.

Trump disse não ter participado diretamente da ação do DOJ, mas criticou Powell, afirmando que “ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom na construção de edifícios”.

Powell reagiu em vídeo, acusando o governo de usar a investigação como “pretexto” para intimidação política, e afirmou que “a ameaça de processos criminais é consequência do Fed definir as taxas com base no interesse público, não nas preferências do presidente”.

Desfecho recente e indicação de sucessor

Após o Fed manter a taxa entre 3,50% e 3,75% em janeiro de 2026, Trump voltou a criticar Powell, chamando-o de “idiota” e dizendo que o presidente do Fed estava “prejudicando o país e a segurança nacional” ao manter juros que, segundo ele, custavam “centenas de bilhões de dólares por ano”.

No fim de janeiro, Trump anunciou que indicaria um sucessor para o mandato de Powell, com o nome de Kevin Warsh como principal cotado, abrindo uma nova fase na disputa e levantando dúvidas sobre o futuro da independência do banco central.

O episódio combina pressões políticas por alívio monetário, ataques pessoais e medidas legais, e passa a ser um ponto de atenção para mercados e formuladores de política, enquanto o Fed reafirma que suas decisões se baseiam em dados e no interesse público.