quinta-feira, junho 4, 2026

Trump eleva tarifas sobre produtos da Coreia do Sul para 25%, afeta automóveis, madeira e farmacêuticos, e culpa Legislativo por não cumprir acordo

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A mudança das tarifas sobre produtos da Coreia do Sul, de 15% para 25%, pressiona Seul a implementar o acordo e coloca em risco o investimento de US$ 350 bilhões

O presidente dos Estados Unidos anunciou que vai aumentar para 25% as tarifas sobre importações da Coreia do Sul, em setores como automóveis, madeira e farmacêuticos, numa medida anunciada pelas redes sociais.

Segundo a decisão, as alíquotas recíprocas que estavam em 15% serão elevadas para 25%, com o objetivo de pressionar o Legislativo sul-coreano a aprovar o acordo comercial firmado no ano anterior.

A medida reacende dúvidas sobre a estabilidade tarifária entre aliados e sobre o cronograma de investimentos afirmado por Seul, e deve ter impacto nas cadeias globais de produção e nos mercados financeiros.

conforme informação divulgada pelo g1

O anúncio e a justificativa de Washington

Em mensagem publicada nas redes sociais, Donald Trump afirmou, em tradução, que, “Como o Legislativo coreano não aprovou nosso histórico acordo comercial, o que é prerrogativa deles, estou, por meio deste, aumentando as tarifas sul-coreanas sobre automóveis, madeira, produtos farmacêuticos e todas as demais tarifas recíprocas de 15% para 25%”.

O presidente vem usando tarifas como instrumento de pressão durante seu segundo mandato, e a nova medida reafirma essa estratégia, que tem gerado apreensão entre economistas e investidores.

Resposta de Seul e situação do investimento

Poucas horas após o anúncio, o gabinete presidencial da Coreia do Sul disse que ainda não havia sido notificado oficialmente sobre um possível aumento de tarifas, segundo a reportagem citada.

O governo sul-coreano vinha trabalhando para implementar um acordo que reduziu para 15% as tarifas dos EUA sobre grande parte das exportações sul-coreanas, mas autoridades locais indicaram desafios na execução do pacote de investimentos relacionado.

O ministro das Finanças da Coreia do Sul afirmou que o investimento planejado de US$ 350 bilhões em setores estratégicos nos EUA, previsto no acordo comercial, “dificilmente começará no primeiro semestre de 2026”, citando, entre razões, a fraqueza do won e o risco de grandes saídas de capital.

O que prevê o acordo entre EUA e Coreia do Sul

No acordo assinado no ano anterior, Washington e Seul concordaram em fixar em 15% as tarifas dos EUA sobre importações de automóveis e autopeças da Coreia do Sul, ante 25% anteriormente, alinhando as alíquotas às praticadas por concorrentes.

Como parte do pacote, a Coreia do Sul comprometeu-se a aportar US$ 350 bilhões em investimentos estratégicos nos Estados Unidos, dos quais US$ 200 bilhões seriam em dinheiro, pagos em parcelas limitadas a US$ 20 bilhões por ano, com a justificativa de preservar a estabilidade do won.

Impactos e avaliações de especialistas

Economistas têm manifestado preocupação com o uso frequente de tarifas como instrumento de política externa, e apontam que a volatilidade tarifária tem custo para empresas e mercados.

Josh Lipsky, diretor de economia internacional do Atlantic Council, afirmou que a ação de Trump reflete impaciência com o ritmo de implementação do acordo por parte de Seul, dizendo, em tradução, “É apenas mais um lembrete de que os mercados estavam errados ao acreditar que entraríamos em um período de estabilidade tarifária em 2026”.

Analistas também lembram que a estratégia enfrenta um teste jurídico em um processo em andamento na Suprema Corte dos Estados Unidos, e que a incerteza sobre tarifas pode afetar decisões de investimento e fluxos de capital em 2026.

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